O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 26/10/2021
No documentário “O lado negro do chocolate”, é denunciado o trabalho escravo infantil por trás das plantações de cacau na Costa do Marfim, maior produtor mundial de cacau. Em paralelo como o documentário, a escravidão no século XXI, embora despercebida e negligenciada por muitos Estados, é uma realidade vivenciada por uma grande parcela da população. Entre os fatores relacionados a esse infortúnio, destacam-se aos interesses privados das grandes empresas e a desigualdade social.
Sobre o assunto, vale trazer o pensamento do filósofo Foucault, o qual afirma que na sociedade pós-moderna muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Nesse contexto, cabe analisar a manutenção da exploração da mão de obra escrava influenciado pelos interesses das grandes corporações privadas. Sob essa ótica, de acordo com os preceitos da sociedade capitalista, no qual se visa como foco principal o lucro, muitos empresários por deterem o poder político, ou por eles próprios ou por associação com terceiros, fazem com que o Estado negligencie os direitos de uma parcela da sociedade em proveito de uma maior acumulação de capital. Em consequência disso, as vítimas desse processo tem sua mão de obra escravizada, sendo eles submetidos a trabalhos forçados, a jornada exaustiva e a condições de trabalho degradantes.
Além disso, torna-se válido destacar a desigualdade social responsável pela subjeção de indivíduos as condições de trabalho desumanas. De acordo com critérios do Banco Mundial, um quarto da população brasileira, 52,7 milhões de pessoas, vive em situação de pobreza ou extrema pobreza. Nesse contexto, tais cidadãos, por se encontrarem em plena vulnerabilidade social, vendem sua força de trabalho por míseras condições de sobrevivência, abrindo mão de seus direitos constitucionais de cidadãos, muitas vezes a eles desconhecidos.
Tornam-se evidentes, portanto, os entraves referentes ao trabalho escravo contemporâneo no Brasil. Loco, concerne ao Ministério do Trabalho e Previdência Social uma maior fiscalização das condições de trabalho do país, por meio da instituição de mais pontos de denúncia e de sua divulgação por intermédio das mídias sociais, como programas televisivos e publicações nas redes sociais, a fim de resgatar os escravizados das condições deploráveis de trabalho e punir devidamente seus infratores, mesmo que esses tenham grande influência na sociedade. Ademais, cabe ao Poder Público o aprofundamento de programas de geração de renda, assim como o bolsa família, no intuito de reduzir a vulnerabilidade da grande parcela brasileira que vive em extrema pobreza, e assim, permitir uma menor submissão as condições degradantes de trabalho.