O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 29/10/2021

Para Platão, filósofo grego da Antiguidade, a qualidade de vida ultrapassa a própria existência, pois, para ele, o importante não é viver, mas viver bem. Sob tal ótica, o trabalho escravo no Brasil contemporâneo representa um obstáculo ao estabelecimento desse ideal na vida de muitos indivíduos, o que configura um grave problema social. Isso se explica não só pela exploração do trabalho infantil, mas também pelas condições precárias oferecidas por diversas multinacionais aos seus trabalhadores. Assim, é fundamental analisar esses fatores para a completa liquidação de tal mazela.

A princípio, é imperioso destacar que o tema em questão é fruto da exploração da mão-de-obra infantil. A esse respeito, convém ressaltar que a falta de investimento governamental na educação pública - comprovada por dados da Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico e Social, os quais indicam que esse investimento, no Brasil, está bem abaixo do nível ideal - é determinante nesse cenário. Isso porque, com o sucateamento de escolas públicas e a indisponibilidade de professores qualificados, as crianças, sobretudo aquelas de origem pobre, perdem a perspectiva de desenvolvimento acadêmico e são forçadas precocemente a contribuir com a renda da família. Em virtude disso, muitos desses indivíduos se submetem a trabalhos análogos à escravidão, com longas jornadas de trabalho, pequena remuneração e péssima qualidade de vida.

Outrossim, a discussão em curso deriva ainda das péssimas condições de trabalho em diversas multinacionais. Nesse sentido, ao final do século XX, veio à tona novos métodos de produção industrial, como o Toyotismo e o Volvismo, os quais propuseram a instalação de suas indústrias em países emergentes para reduzir os custos. Entretanto, essa filosofia, aliada à falta de fiscalização do Estado, ocasiona, por vezes, a degradação do trabalhador, já que tenta conciliar a enorme demanda do mercado com a máxima exploração dos empregados. Consequentemente, por se tratarem de países onde há muita pobreza e disponibilidade de mão-de-obra, os indivíduos acabam aceitando essas condições de trabalho, pois é a única forma de sobreviverem e de ajudarem as suas famílias.

Portanto, de modo a extinguir o trabalho escravo no Brasil, medidas são necessárias. Primeiramente, compete ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, destinar mais verba para a educação pública. Isso deve ser feito por meio do investimento na manutenção de escolas - as quais devem ter salas de aula modernas que potencializem o aprendizado - e na disponibilização de professores qualificados, a fim de que as crianças possam se desenvolver nos estudos e estejam desvinculadas do trabalho infantil. Ademais, cabe ao Ministério do Trabalho elevar a fiscalização das condições de trabalho em multinacionais para combater o trabalho escravo e  proteger o trabalhador.