O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 31/12/2021

No conto “O Sonho de um Homem Ridículo”, de Dostoiévski, apresenta-se a história de um narrador que sonha com uma sociedade perfeita, a qual é marcada pela ausência de mazelas sociais. Fora da ficção, a nação brasileira destoa do enredo supracitado, uma vez que o trabalho análogo ao escravo ainda persiste em nosso país. Dessa maneira, são necessárias medidas para reverter esse quadro de exploração.

Em primeiro lugar, é preciso resaltar que a negligência do Estado, no que tange à qualidade do trabalho é um dos fatores que provocam esse fenômeno. Isso porque, como afirmou Gilberto Dimenstein, em sua obra “O Cidadão de Papel” a legislação brasileira é ineficaz, visto que, embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes não se concretiza na prática. Prova disso é a falta de investigação e fiscalização das condições trabalhistas no país, o que permitiu que em variados lugares de todo o Brasil ainda existam inúmeras ocorrências de relações trabalhistas deturbadas.

Deve se analisar, ainda que a desinformação na sociedade é outra problemática em relação ao ato da denúncia de casos. Claire Fagin, educadora norte-americana, ensina que o conhecimento dará a todos a oportunidade de fazer a diferença. Infelizmente, na realidade da sociedade brasileira não é aplicado o ensino de Fagin, pois, devido à escassez da divulgação de informações nas redes midiáticas sobre como identificar e denunciar atos de exploração humana, boa parte da população desconhece seus direitos e dos direitos dos outros. É inadmissível, pois, que o governo brasileiro não invista intensamente na orientação e na conscientização da sociedade sobre seus direitos nas condições de trabalho.

Portanto, o Governo Federal deve intensificar a fiscalização e a investigação dos vínculos empregatícios com o apoio da população por intermédio de investimento em uma equipe de fiscalização e de campanhas midiáticas que irão orientar e conscientizar os indivíduos a reconhecer e a denunciar as irregularidades, com o intuito de punir os exploradores e proporcionar melhores condições de vida àqueles estavam sendo explorados. Espera-se assim acabar com o trabalho análogo ao escravo no Brasil, para que tenhamos uma sociedade cada vez mais livres de mazelas, assim com no conto de Dostoiévski.