O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 23/02/2022
No filme ‘‘Tempos Modernos’’, Charles Chaplin interpreta um trabalhador fabril submetido a condições empregatícias degradantes, que o levam ao desgaste físico e mental. Apesar de ser uma produção de 1936, o filme apresenta grande semelhança com os dias atuais, haja vista que tais condições de trabalho -classificadas por lei como escravidão- permanecem no Brasil. Tal permanência não se dá somente pelo racismo enraizado, mas também pela vulnerabilidade infantil e adolescente.
Primeiramente, é relevante abordar o impacto do preconceito racial na escravidão contemporânea. Embora tenha ocorrido a abolição escravagista brasileira em 1888, não ocorreu suporte para a reintegração social e empregatícia da população negra, deixando-os financeiramente vulneráveis. Tal fragilidade causou a sujeição desses indivíduos aos trabalhos precários, que foram repassados aos seus descendentes. Infelizmente, a hereditariedade negra dificulta a ascensão trabalhista até hoje.
Consoante a isso, é indubitável que a menoridade também é alvo da escravização contemporânea. Devido a falta de informação, vulnerabilidade física e mental, muitas crianças e adolescentes são submetidos à precariedade, em troca de abrigo e alimentação. Segundo o site do Governo Federal, de 19 trabalhadores resgatados de um local trabalhistas com condições degradantes, um deles era menor de idade. Desse modo, fica claro que a fragilidade infantil abriu portas para a degradação física e mental vista por Chaplin.
Portanto, diante dos fatos citados, fica claro que o Ministério do Trabalho deve dar suporte às pessoas resgatadas em condições trabalhistas precárias, oferecendo vagas de emprego que respeitem as Leis Trabalhistas. Assim, o Brasil será referência positiva no ramo trabalhista, distanciando-se da realidade vista na obra cinematográfica ‘‘Tempos Modernos’’.