O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 11/04/2022
O jurista Max Weber declarou que “o trabalho dignifica o homem e o torna livre”. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea, é o oposto do que o autor prega, uma vez que o trabalho escravo no Brasil, vivenciado por milhares de trabalhadores diariamente, dificultando a concretização da idealização de Weber. Esse cenário antagônico é fruto tanto da miséria que rege boa parte da população quanto da ausência de fiscalização trabalhista.
Precipuamente, é fulcral pontuar que os empecilhos no combate ao trabalho escravo no Brasil derivam da vulnerabilidade dos indíviduos que vivem sob a faixa da extrema pobreza, no que concerne a inacessibilidade à educação de qualidade, qualificação profissional e estabilidade socioeconômica. Nesse contexto, segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso é inverossímil neste país, devido à ausência estatal nos locais habitados por essa parcela da população. Desse modo, é imprescindível a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar a a ausência da fiscalização trabalhista por parte dos órgãos públicos como outra promotora do problema. Sobre isso, de acordo com o Índice de Escravidão Global, pelo menos 200 mil proletariados vivem em regime de escravidão no país, mas devido ao corte de verba sobre os órgãos trabalhistas, apenas 1.636 foram libertados no ano que passou. Partindo desse pressuposto, fica evidente que os números são preocupantes, já que a precarização dos órgãos do trabalho leva a limitação dos números de investigações e fiscalizações possíveis, impossibilitando o atendimento ao socorro de vários brasileiros. Tudo isso, então, retarda a resolução do problema, já que o sucateamento dessas instituições contribui para a perpetuação do quadro.
Assum, medidas são necessárias para conter o avanço da problemática. De modo que cabe ao Estado procurar se fazer presente em comunidades saélites e zonas rurais, e do oferecimento de auxilios financeiros aos mais pobres, e verba para órgãos fiscalizadores, por meio da construção de escolas, faculdades e CREAS, afim de reduzir a faixa da extrema pobreza e a vulnerabilidade, e viabilizar os processos de libertação dos escravizados. Só assim o escravismo será atenuado.