O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 13/05/2022

O Brasil, diferentemente de países situados na América da Norte, foi submetido a um processo de colonização exploratória, que visava, acima de tudo, a exploração e o acúmulo de matérias-primas. Durante esse período, a escravidão era parte fundamental da economia e condicionada os escravos à trabalhos forçados de longas horas de duração. Apesar de a abolição da escravatura ter ocorrido no dia 13 de maio de 1888, nos dias atuais há casos de trabalho escravo no Brasil, o que configura uma grave problemática. Dada a importância da temática, vale discutir acerca de pontos que a envolvem, que são: o acúmulo de riquezas como princípio norteador das práticas escravistas e as consequências dessa à vida dos indivíduos.

Precipuamente, é fulcral pontuar a obtenção de capital como base para a escravidão. O sociólogo Karl Marx analisou a sociedade contemporânea a partir de um viés histórico e materialista e concluiu que o capital era a base de todas as relações sociais. Dessa forma, a sociedade agiria, em todas as situações, visando a obtenção de lucro, ainda que isso prejudicasse outros cidadãos. Nessa perspectiva, a redução de um indivíduo à condição análoga à de um escravo tem raízes econômicas e almeja o acúmulo de capital por parte do escravisador. Além disso, a prática escravista pode estar relacionada à ações cotidianas vivenciadas em trabalhos “comuns”, nos quais os indivíduos são controlados de forma excessiva e até proibidos de finalizar o expediente, conforme dados divulgados pela Justiça Brasileira.

Ademais, é imperativo ressaltar as consequências do trabalho escravo à vida das vítimas. No filme “Tempos Modernos”, é relatado o cotidiano de Charlie, um operário de uma fábrica de automóveis, que era submetido à lonas jornadas de trabalho, condições insalubres e restrição de locomoção. Os funcionários da empresa, ao demorarem mais que cinco minutos no banheiro, eram notificados por meio de uma televisão e obrigados a retornar. De forma análoga ao retratado na obra, no Brasil contemporâneo, práticas de controle pessoal e jornadas de trabalho excessivas semelhantes à escravidão são realizadas de forma comum e geram consequências negativas para a vida das vítimas. Nessa perspectiva, subordinados ao poder do patrão,