O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 16/06/2022

No século XVI, a colonização do Brasil se estruturou com base na exploração e, para isso, os europeus utilizaram na mão de obra escrava. Neste sentido, essa sociedade se formou, por meio de noções racistas e preconceituosas, o que permite a perpetuação do trabalho análogo à escravidão até a atualidade. Logo, deve-se analisar a falta de fiscalização e debates sobre o assunto.

Em primeiro plano, vale destacar a negligência estatal frente à fiscalização. Em sua maioria, os criminosos procuram regiões com défcit de emprego, saúde e educação e, por isso, a comunidade se vê com pouca expectativa de vida e tende a ser menos crítica quando recebem as propostas dos criminosos. Tal situação, vinculada a uma ação policial pouco efetiva e, até, rara faz com que esses locais sejam visados para o aliciamento de pessoas ao trabalho escravo. Segundo dados do site “Escravo Nem Pensar!”, cerca de 40% dos trabalhadores resgatados em situação semelhante à escravidão possuem escolaridade até a quarta série, o que confirma a falta de atuação estatal em determinadas regiões.

Em segunda análise, a ausência de debates concretos sobre o tema deve ser ressaltada. Apesar da Lei Abolicionista ter sido assinada em 1888, ela não contremplou a população negra em relação aos direitos, o que aliado à concentração de renda possibilitou a sensação de abandono moral e social. Desse modo, a falta de conversas sobre o assunto contribui para que esse abandono histórico permaneça, visto que a população não discute sobre o seu passado para evitar as mesmas situações no presente.

Torna-se evidente, portanto, a urgência em ampliar o conhecimento popular sobre o trabalho escravo persistente no Brasil. Sendo assim, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, em parceira com o Ministério da Ciência e Tecnologia, deve ampliar a fiscalização em regiões vulneráveis ao aliciamento de pessoas para esse tipo de serviço. Essa ação acontecerá por intermédio da instalação de câmeras em rodovias estratégicas, acompanhamento contínuo via satélites, além da divulgação de um disque denúncia - para que a própria comunidade possa colaborar -, a fim de gerar punição e vigilância. Ademais, a mídia deve criar campanhas de combate ao trabalho escravo, por meio de dados, para fomentar a criticidade social.