O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 25/07/2022

Em meados do século XX, o escritor austríaco Stefan Zweig mudou-se para o Brasil devido à perseguição nazista na Europa. Bem recebido impressionado com potencial da nova casa, Zweig escreveu um livro cujo título é até hoje repetido:“Brasil, país do futuro”. Entretanto, quando se observa a persistência do trabalho escravo no Brasil do século XXI, percebe-se que a profecia não saiu do papel. Dessa maneira, pode-se citar a incúria do Poder Público e a desinformação social como agravantes do imbróglio.

Deve-se pontuar, de início, que o ínfimo engajamento estatal em relação à fiscalização das irregularidades no trabalho é um dos principais fomentadores do problema. Isso ocorre porque, além de fatores como a falta de qualificação, a pobreza extrema e a falta de acesso à educação, que dificultam a inserção de grande parte da população no mercado de trabalho formal, as verbas disponibilizadas para a efetiva operação de inspeção do trabalho em áreas urbanas e rurais são ínfimas. Como consequência disso, muitos indivíduos acabam sujeitando-se ás explorações do trabalho escravo moderno, o que contraria o pensamento do filósofo John Locke, o qual afirma ser dever do Estado garantir o bem-estar social.

Ademais, é a desinformação da sociedade no tocante às formas de denunciar trabalhos análogos à escravidão. Nesse viés, segundo a filósofa Marilena Chauí, a falta de informação torna o ser humano cômodo. Assim, ao analisar esse raciocínio, depreende-se que, embora existam leis federais que punam atos relacionados ao trabalho escravo, que é, infelizmente, facilmente encontrado no país, grande parcela da população não denuncia diversas práticas análogas à escravidão, o que comprova a ótica da pensadora brasielira.

Dessarte, fica evidente que medidas são necessárias para atenuar o impasse. Logo, faz-se mister que o Estado, instituição responsável por garantir a harmonia social, por intermédio de investimentos fiscais, amplie a fiscalização do trabalho, principalmente em áreas rurais, a fim de erradicar qualquer tipo de trabalho análogo à escravidão e assegurar os direitos dos cidadãos. Dessa forma, a profecia de Zweig tornar-se-á realidade no Brasil.