O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 29/06/2023
“Ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação”. Na música “Que país é esse?”, da banda Legião urbana, há a denúncia acerca de diversos problemas sociais. Na realidade brasileira, isso pode ser observado na medida em que existe uma negligência governamental e irracionalidade populacional que perpetuam o trabalho análogo à escravidão. Nota-se, a princípio, que o descaso governamental representa um grande obstáculo para a resolução do trabalho escravista. Nesse contexto, de acordo com o jornalista Gilberto Dimenstein, em seu livro “Cidadão de Papel”, no Brasil verifica-se a materialização de que os direitos previsto na constituição de 1988, como a liberdade, não são garantidos a todos os cidadãos na prática. Dito isto, este fato é demonstrado quando uma pessoa trabalha muito, mas o salário é menos que o mínimo e não possui carteira assinada. Logo, o silenciamento das autoridades perpetua esse cenário ao não criar uma fiscalização eficiente e divulgar informações de como agir frente ao crime. Além disso, conforme o conceito de “banalidade do mal”, da filósofa Hannah Arendt, quando uma atitude hostil ocorre constantemente, a sociedade passa a vê-la como banal. Desse modo, isso evidencia a irracionalidade em relação ao trabalho vassalo ilegal, configurando a trivilização da maldade, o que, para Arendt, ocorre quando há falta de reflexão sobre os males ao redor dos indivíduos. Nesse viés, percebe-se que a população normalizou esse imbróglio. Como consequência, isso tem gerado uma objetificação do ser humano, fazendo-os perder a própria identidade, o que causa graves problemas mentais, como a depressão. Dessa forma, o Ministério da Educação deve criar o projeto “Escravidão Contemporânea” tanto nas escolas - em todos os níveis de escolarização - como nas universidades, com palestras explicativas sobre as consequências e com informações sobre como agir juridicamente frente ao crime. Sendo assim, essas propostas têm como objetivo libertar e evitar que mais pessoas fiquem expostas ao trabalho análogo à escravidão.