O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 08/09/2023
No livro “O Cidadão de papel”, do jornalista Gilberto Dimenstein, a denúncia da ineficácia de diversos mecanismos legais é feita, evidenciando uma cidadania aparente — metáfora utilizada pelo autor. Nesse sentido, pode-se relacionar tal premissa ao que ocorre no Brasil, por exemplo, o trabalho análogo ao de escravo. Isso é causado pela banalização dos problemas e pelo individualismo, fatos que perpetuam esse problema.
A princípio, conforme o conceito de “Banalidade do mal”, cunhado pela filósofa Hannah Arendt, quando uma atitude hostil ocorre constantemente, há a naturalização dos obstáculos por falta de reflexão. Destarte, isso evidencia a irracionalidade em relação ao não debate sobre o trabalho análogo a escravidão e seus desdobramentos. Efetivamente, isso ocorre, pois o governo banaliza a falta de informação acerca da submissão dos trabalhos forçados, isto é, não elabora campanhas que visem informar, como esse tipo de exploração do trabalhador é praticada e de que maneira proceder. Diante dessa violação, por exemplo, não acontecem rodas polícias diariamente e nem mesmo disseminação de documentários na TV e, por isso, uma grande parcela das vítimas não sabem que são vítimas desse grande empecilho social, configurando a trivialização da maldade, que, para Arendt é o vazio de pensamento. Consequentemente, isso gera uma violência (implícita) com essa parcela da sociedade e, até mesmo, sentimento de invisibilidade e desprezo.