O uso da Cannabis medicinal no Brasil
Enviada em 17/09/2022
“É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”. Essa frase, do físico alemão Albert Einstein, descreve com maestria a situação do uso da Cannabis medicinal no Brasil. Mesmo após comprovações científicas de que o canabidiol pode ser benéfico para a saúde, é indubitável que seu uso ainda é visto como controverso pela sociedade, devido à ignorância e à omissão.
A princípio, convém destacar o impacto da falta de conhecimento acerca do tema.
De acordo com Arthur Schopenhauer, filósofo alemão, todos os homens consideram os limites do seu campo de visão como os limites do mundo. Dessa forma, diante de péssimos índices educacionais, onde a ciência tem sido constantemente contestada nos últimos anos, principalmente após a expansão das “fake news”, é impossível deduzir que a população será capaz de ter uma visão isenta da óptica preconceituosa do senso comum, consolidada pela repulsa à maconha, visto que essa é ilegal no país. Com isso, percebe-se a perpetuação de um preconceito, que dificulta a popularização do uso farmacêutico.
Paralelamente, é importante salientar a omissão coletiva como um agravante da problemática. Conforme Mozi, filósofo chinês, a empatia é fundamental para os melhoramentos sociais. Nesse contexto, entende-se que há uma falta de empatia de grande parte da sociedade ao desincentivar o uso medicinal da Cannabis, já que é amplamente comprovado que ela é capaz de aliviar sintomas graves de certas doenças, como convulsões. Assim, cidadãos que poderiam obter essa categoria de medicamentos com maior facilidade pelo Sistema Único de Saúde, se encontram desamparados já que não há um incentivo de maior escala ao uso desses, fomentando sua produção em larga escala e, consequentemente, aumentando sua acessibilidade.
Portanto, é evidente que medidas devem ser tomadas para resolver a questão.
Logo, faz-se necessário que o Ministério da Saúde, em parceria com o Conselho Federal de Farmacologia, fomente campanhas informativas a respeito do tema, que englobem não só anúncios divulgados nas redes oficiais de comunicação do Estado, mas também palestras de profissionais farmacêuticos em unidades básicas de saúde e escolas, a fim de reverter esse cenário e combater a desinformação.