O uso da Cannabis medicinal no Brasil
Enviada em 09/11/2022
A “Coca-Cola” é uma bebida muito consumida, cuja produção advém Coca, planta usada na produção de cocaína. Contraditoriamente, a “cannabis” medicinal, fármaco derivado da planta que origina a maconha, é demonizado, mesmo sendo eficaz no tratamento de doenças. Tal contradição, fruto de notícias falsas, prejudica o acesso de pacientes a tratamentos eficazes e mostra a desinformação social.
Diante disso, é importante pontuar sobre o efeito das notícias falsas no acesso ao medicamento pelos pacientes. De acordo com o Conselho Federal de Medicina, o Canabidiol é eficaz no tratamento de doenças como epilepsia. Porém, mesmo com a eficácia comprovada, ainda há pessoas que desacreditam dessa medicação por conta de “fake news”. Dentre as notícias falsas se encontra a cartilha feita pelo Ministério da Cidadania, a qual afirma que o Canabidiol causa esquizofrenia. Essa situação vai contra à responsabilidade governamental de lutar a favor da verdade e impede que pacientes possam receber tratamentos eficazes e seguros, já que exige da Agência Nacional de Vigilância Sanitária mais testes do que o necessário.
Ademais, é essencial citar a desinformação evidenciada pela problemática. Nesse âmbito, segundo a Constituição Federal, informar a população é um dever estatal. Todavia, ao analisar a cartilha lançada, é perceptível que esse, além de não cumprir com seu papel, colabora com a desinformação. Desse modo, há uma quebra na Constituição e uma consequente usurpação nos direitos dos cidadãos, já que esses vivem mergulhados em desinformação. Esse conflito se aplica ao conceito de “Instituição zumbi”, do sociólogo Zygmunt Bauman, em que a arena pública perdeu sua função social, mas manteve sua forma.
Em suma, medidas são necessárias para resolver esse impasse. Dessa forma, o Ministério da Saúde deve desenvolver campanhas - que circulem em todos os veículos midiáticos e espaços públicos -, as quais falem sobre o que é e quais os benefícios da cannabis medicinal, além de desmentir as notícias falsas sobre o assunto. Tal ação deve ser feita por meio de reuniões com especialistas para que seja eficiente e acessível. Espera-se, com isso, acabar com a desinformação e ampliar o acesso ao medicamento por parte dos pacientes.