O uso da Cannabis medicinal no Brasil

Enviada em 03/03/2023

De acordo com o filósofo Platão, a associação entre saúde física e mental seria imprescrindível para a manutenção da integridade humana. Essa percepção dialoga analogamente com pacientes que dependem do uso da Cannabis medicinal para mitigar seus quadros. Porém, infelizmente, esse uso ainda é um grande estigma e muitos cidadãos não possuem acesso a esses medicamentos. Dito isso, é fundamental discutir os impactos que a burocratização e a falta de acesso trazem a população dependente do tratamento de canabidiol.

Sob esse viés, é importante destacar, a princípio, como muitas doenças neurológicas necessitam de tratamento específico a base de canabidiol, tais como Alzheimer, Parkinson, depressão, epilepsia e síndromes raras. Entretanto, a partir de 2022, a CFM (Conselho Federal de Medicina) restringiu o uso do medicamento em apenas crianças e adolescentes epiléticos. Acerca disso, é pertinente trazer o discurso do chef brasileiro Henrique Fogaça, no qual se posicionava a respeito do uso de canabidiol no tratamento da síndrome rara de sua filha, Olivia: “Não podemos nos calar, privar e tirar a liberdade dos pacientes que tem necessidade do uso de Cannabis.”

Somado a isso, o acesso da população a esses medicamentos se torna restrito por conta de seus altos preços, os quais se tornam inacessíveis e fora do orçamento da maioria dos brasileiros que demandam desse uso. “Nas farmácias, há produtos que podem custar até R$ 2 mil, e os mais baratos estão girando em torno de R$ 300, R$ 400. É um tratamento que não é trivial" diz Carolina Sellani, coordenadora do Grupo de Trabalho de Insumos de Cannabis.

Evidencia-se, portanto, que a restrição do uso de canabidiol é um obstáculo a integridade humana de pacientes que necessitam desse uso no tratamento de suas patologias, comprovando a fala de Platão. Por isso, o Ministério da saúde, responsável pela administração da Saúde pública no Brasil, deve, por meio de campanhas de conscientização, introduzir o uso da Cannabis medicinal a sociedade brasileira, assim como trabalhar na redução de preços, gerando maior acessibilidade ao uso do medicamento para que essa parcela da população tenha a garantia do seu direito a saúde física e mental.