O uso da Cannabis medicinal no Brasil
Enviada em 03/05/2024
Até o século XX a cocaína diluída era utilizada como calmante em vários consultórios psiquiátricos, sendo considerado apenas o ópio como uma droga. À luz disso, o ditado “A diferença entre o remédio e o veneno está na dose”, exemplifica a condição que a Cannabis, popularmente chamada de maconha, possui no cenário nacional. Por isso, a infraestrutura da saúde brasileira e também o entendimento populacional sobre o uso da maconha são pontos que devem ser rapidamente debatidos.
Em primeira instância, é posto em jogo as condições de infraestrutura do sistema de saúde brasileiro. Há alguns anos, o país sofreu com a pandemia do virús COVID-19, mesmo que sua letalidade não seja tão alta quando comparada com sua contaminação, a falta de leitos, utensílios médicos, espaços adequados, tubos de oxigênio e entre outros fatores mostraram que a eficiência do sistema de saúde está precário. Consequentemente, se não houver nenhuma melhora no sistema atual, a má fiscalização, o cultivo ilegal, laudos falsificados e a falta de estrutura para orientação do paciente vão ser um problema recorrente na implementação da maconha, como remediação, no país.
Como segundo ponto, é levado com extrema importância o entendimento que a população brasileira tem sobre a Cannabis. Pejorativamente, maconheiro ainda é utilizado como xingamente e forma de denegrir uma pessoa no Brasil, isso mostra a maneira negativa que a planta foi apresentada para a população. Entretanto, mesmo depois de ser utilizada como solução para alguns problemas neurológicos a maconha ainda possui o título de droga, não sendo possível, para muitos habitantes, ocupar o mesmo patamar que a palavra remédio.
Mediante aos fatos supracitados, uma intervenção se faz necessária. O Estado, principalmente o Ministério da Saúde, junto ao sistema particular, por meio dos postos, hospitais, farmácias e centros de atendimento, devem estabelecer parâmetros de segurança e medidas rígidas de fiscalização para assegurar que a maconha circulada seja legalizada e que chegue àqueles que necessitam dela para receber um tratamento adequado. Com isso, o Brasil pode tirar esse paradígma da população e seguir em frente, melhorando cada vez mais a medicina nacional.