O uso da Cannabis medicinal no Brasil

Enviada em 16/10/2024

“Utopia”, a famosa obra do escritor britânico Thomas More, retrata uma sociedade perfeita, livre de mazelas sociais. No entanto, a realidade brasileira é adversa à idealizada na obra, pois o uso da cannabis medicinal no Brasil é uma problemática existente. Assim, é possível identificar duas causas principais para essa conjuntura: a omissão governamental e as desigualdades sociais.

Antes de tudo, percebe-se um evidente descaso governamental em relação a essa questão. A Constituição Federal de 1988 estabelece que é dever do Estado garantir a todos os cidadãos o direito à vida, à saúde e à proteção contra qualquer forma de negligência. Contudo, essa premissa parece ter sido esquecida, visto que são mínimos os esforços para regulamentar amplamente o uso medicinal da cannabis, mesmo com evidências de seus benefícios terapêuticos. Exemplo disso é a demora na aprovação de projetos que facilitem o acesso ao tratamento, como a importação de medicamentos à base de cannabis e a autorização para o cultivo controlado. Nesse cenário, a falta de uma política clara e abrangente impede que milhares de pacientes obtenham o tratamento adequado para doenças crônicas ou graves. Como resultado, o direito à saúde é negligenciado, o que representa um empecilho para a qualidade de vida de muitos brasileiros.

Além disso, é importante destacar as desigualdades sociais nesse contexto. A filósofa Hannah Arendt menciona: “A essência dos direitos humanos é o direito a ter direitos”. No entanto, isso não ocorre na prática, visto que o acesso à cannabis medicinal é restrito a quem tem condições financeiras de importar os produtos ou recorrer à Justiça. Por outro lado, enquanto alguns pacientes conseguem tratamento por vias judiciais, outros, em situação de vulnerabilidade, sofrem pela falta de recursos e pela criminalização do uso da planta. Diante do exposto, essas desigualdades ferem o direito à saúde e à dignidade, já que o tratamento não é acessível de forma equitativa para todos.

Portanto, cabe ao Estado destinar mais recursos para a regulamentação e pesquisa sobre o uso da cannabis medicinal no Brasil. O Ministério da Saúde deve criar políticas públicas que facilitem o acesso seguro e controlado ao tratamento, além de promover campanhas de conscientização sobre seus benefícios terapêuticos. Isso ajudaria a reduzir o preconceito e ampliar o acesso aos pacientes que necessitam, promovendo uma adaptação mais justa do sistema de saúde.