O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 07/10/2018

O direito à alimentação adequada, recentemente garantido pela Constituição Federal, abrange todos os indivíduos e deve conceder-lhes o acesso à uma dieta nutritiva e benéfica à saúde. No entanto, com a utilização exagerada de agrotóxicos na produção agrária nacional, consequência da crise de valores éticos e morais enraizada no constructo social, evidencia-se um desrespeito à cidadania e dignidade dos cidadãos. Diante da insistência desse cenário, desencadeada pela alienação popular perante essa questão e pela ganância do mercado produtor brasileiro, torna-se latente a necessidade de debate e resolução dessa problemática.

Em primeira análise, nota-se uma abstração do povo de frente às reais consequências da utilização de pesticidas. A precariedade do sistema educacional do país, evidente na estrutura inconsistente e desigual das instituições de ensino, permite a alienação dos indivíduos, que ao desconhecerem os riscos apresentados pela ingestão exagerada de agroquímicos, possibilitam que o Brasil, por exemplo, esteja em primeiro lugar no ranking mundial de utilização dessas substâncias. Tendo em perspectiva esse quadro, a população passa a ser exposta, sem seu consentimento, à quantidades alarmantes de herbicidas que podem, segundo estudos médicos, significar o surgimento de abortos espontâneos e doenças como câncer e intoxicação alimentar.

Outrossim, vale ressaltar que a busca incessante pelo lucro, protagonizada pelas grandes empresas agropecuárias, é outro fator estimulante da utilização desmedida de praguicidas. A intensa competição presente no mercado alimentício brasileiro leva à aplicação dos defensivos agrícolas, empregados como arma química durante a Segunda Guerra, na maior parcela da produção oferecida à população, objetivando prevenir os ataques de pestes e a melhor conservação dos alimentos, gerando safras maiores e mais lucrativas. Diante desse cenário, a vida e a saúde dos cidadãos são colocadas em risco perante a necessidade excessiva de uma maior rentabilidade por parte dos grandes empreendedores.

A utilização exorbitante de agrotóxicos na alimentação brasileira é, portanto, uma consequência da crise de valores éticos e morais enraizada na sociedade. A fim de amenizar essa problemática, o Governo Federal, em parceria com a ANVISA, deve promover, por meio de um aumento progressivo na rigorosidade da fiscalização de agrotóxicos, uma eliminação gradual dessas substâncias do mercado. Além disso, o Ministério da Saúde, em parceria com as escolas, deve promover, por meio de palestras guiadas por médicos, agrônomos e biólogos, uma maior conscientização popular, iniciada na infância, perante a importância de conhecer bem como se produz aquilo que se consome. Dessa maneira, será possível construir um Brasil que garanta a saúde, dignidade e cidadania a toda sua população.