O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 10/10/2018
De acordo com o dicionário de filosofia, Niilismo é um termo pessimista empregado para designar doutrinas ou ações que se recusam a reconhecer valores essenciais ao ser humano. Embora o conceito tenha sido utilizado predominantemente no século XIX, na atualidade, tais comportamentos ainda prevalecem, tendo em vista que a falta de postura social e governamental em frente da tolerância agrotóxica no Brasil é um dos modos mais decadentes de uma nação que se diz filantrópica.
Em primeiro lugar, é inquestionável que o imediatismo contemporâneo esteja entre as causas do problema. A teoria do materialismo dialético e histórico de Karl Marx afirma que o modo de produção da vida material condiciona o desenvolvimento da vida social, política e intelectual em geral. Nesse sentido, a sociedade puramente capitalista apresenta uma resistência intensa a um maior questionamento acerca do plano pessoal, social e profissional. Logo, a população e os empresários acabam sendo marcados pela massificação de atos negativos, como não refletir a própria saúde e de buscar unicamente o mais rápido ou lucrativo.
Convém destacar também que a questão familiar contribui para a resistência desse paradigma. De acordo com o livro “Uma Teoria de Justiça”, do filósofo John Rawls, não só o Estado, mas também a sociedade deve basear suas ações em princípios de justiça, para que seja alcançado plenamente o equilíbrio do bem comum racional. De maneira análoga, constantemente a família brasileira rompe com essa harmonia na medida em que acredita que a solução cabe somente ao governo ou quando ignora o potencial negativo do ato, mantendo-se inerte. Dados atuais divulgados pela Anvisa evidenciam que em dez anos o crescimento do consumo de agrotóxicos no Brasil foi de 190%.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias a fim de atenuar efetivamente essa forma de agressão à saúde. É primordial que o Governo Federal, por meio de leis e vantagens, incentive empresas a reduzirem o uso de agrotóxicos, objetivando inseri-los em um contexto educacional e ético, além de gerar informação, percepção e conscientização na sociedade em geral, recorrendo à mídia televisiva. Ademais, urge que a escola, com palestras, aulas temáticas e debates, que envolvam a família, instale a reflexão e a informação nos jovens e adultos, enfatizando a formação de cidadãos conscientizados. Assim, o avanço humanitário tornará o niilismo apenas uma teoria.