O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 12/10/2018

Nem pop, nem tech, nem tudo. Diferentemente do entoado na campanha televisiva da Rede Globo, o agronegócio é responsável por um gravíssimo problema de saúde pública no Brasil: o gigantesco consumo de agrotóxicos. Ao subtrair brutalmente o direito à saúde previsto no Art. 196, essa realidade traz a urgência de intervenções legais e socioeducativas.

De início, é relevante apontar a gênese do flagelo. Situada na 1ª fase da modernização agrícola, a revolução verde caracterizou-se pelo aumento colossal do uso de produtos fitossanitários, no Brasil e no mundo, nas décadas de 1940 e 1950. Atualmente, porém, devido às consequências nefastas na saúde pública, há limitação dessa utilização nos Estados Unidos e nos membros da União Europeia. Lamentavelmente, o Brasil caminha na contramão desses países, e é, segundo a Associação Brasileira de Saúde Coletiva, o líder mundial no ranking do consumo.

Vale ressaltar, também, as consequências disso. Ainda em conformidade com a Abrasco, mais de 70% dos alimentos produzidos no país são contaminados por agrotóxicos. Essa realidade acarreta enfermidades diversas, exemplifiquem-se a morte por intoxicação, a má formação congênita, o autismo e o câncer. Nessa perspectiva, nota-se como a atuação retrógrada da bancada ruralista na Câmara Federal e a omissão dos grandes grupos televisivos acerca do tema se traduzem em espoliação violenta do direito à saúde e ao bem-estar.

Por isso, cabe aos meios de comunicação de massa, em parceria com a Anvisa, a feitura de campanhas socioeducativas sobre o grave custo social do consumo de agrotóxicos, concomitantemente ao incentivo à aquisição de produtos orgânicos e agroecológicos. Além disso, convém à Câmara Federal a reprovação da “PL do Veneno”, a qual prevê liberação irrestrita de pesticidas no país. Outrossim, cabe ao Ministério de Desenvolvimento Agrário a canalização de verbas orçamentárias para o incremento à agricultura familiar, com o fito de melhorar a alimentação dos brasileiros. Afinal, o agro não é pop, nem é tudo: o agro é tóxico.