O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 16/10/2018
A Revolução Verde, visando aumentar a produtividade das plantações, em 1950, foi responsável pelo desenvolvimento e pelo uso intensivo de agrotóxicos na agricultura. Contudo, hodiernamente, a negligência dos produtores e do Estado acerca da utilização de defensivos agrícolas evidencia danos à saúde da população e ao meio ambiente. Urge, portanto, a necessidade de analisar tal realidade de modo a identificar e combater seus impactos no cotidiano da sociedade brasileira.
Em primeiro lugar, cabe ressaltar que o uso exacerbado de pesticidas, por parte dos agricultores, mostra-se como um dos desafios ao bem-estar da comunidade contemporânea. Isso acontece porque, segundo o psicólogo americano Henry Murray, o ser humano possui, inconscientemente, a necessidade de apresentar bons desempenhos no que tange à ambição material. Dessa maneira, tendo em vista que o uso de agrotóxicos propicia o aumento da produtividade, grande parte da indústria agrícola brasileira não se limita quanto ao uso desses agentes químicos para aumentar seus ganhos monetários. Como consequência, embora exista um mercado de vegetais orgânicos - que, inclusive, possuem preço de compra mais elevado-, muitos cidadãos são intoxicados com quantidades excessivas de praguicidas em alimentos que constituem a dieta básica do brasileiro.
De outra parte, convém frisar que a ineficiente fiscalização estatal quanto ao uso de defensivos agrícolas apresenta-se como outro fator preponderante para o aumento da utilização desses produtos. Esse panorama decorre da grande extensão territorial do Brasil e, também, do conflito de interesses dentro dos órgãos públicos, uma vez que o Congresso Nacional apresenta, em sua composição, uma frente parlamentar da agropecuária que visa atender aos interesses dos produtores rurais em detrimento dos interesses dos defensores da saúde pública e do ecossistema. Desse modo, a indústria agrícola não é fiscalizada no que se refere à aplicação de químicos em seu processo produtivo e, assim, promove a manutenção de processos destrutivos, como a eutrofização de recursos hídricos e a contaminação do solo.
Infere-se, portanto, que são necessárias medidas que reduzam a utilização de pesticidas na cadeia produtiva de alimentos no Brasil. Logo, é imprescindível que o Ministério da Agricultura desenvolva incentivos fiscais aos produtores rurais que se comprometerem a reduzir o uso de agrotóxicos e a apresentarem dados que confirmem, a cada lote de vegetais produzidos, tal redução à Embrapa, a fim de amenizar o uso excessivo de defensivos agrícolas e aumentar a fiscalização da indústria agrícola brasileira. Somente assim, os impactos dos agroquímicos, no Brasil, serão reduzidos.