O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 17/10/2018
A Revolução Neolítica representou para o ser humano o primeiro grande passo para o domínio da natureza por meio da domesticação de plantas e animais. Os últimos avanços da ciência provocaram um controle técnico ainda maior do meio, um deles é o agrotóxico, cuja importância é muito grande, mas cujo uso tem causado problemas muito sérios à saúde de consumidores e produtores rurais. Isso acontece pois faltam meios mais severos de regular e fiscalizar o seu uso, pela falta de capacitação dos trabalhadores rurais no manuseio desses produtos no campo e pelo uso insuficiente de métodos alternativos de controle de pragas.
A indústria agropecuária é de suma importância para o mundo atual, em que temos uma população global cada vez maior, que demanda uma produção agrícola cada vez mais eficiente, exigindo a utilização de novas tecnologias. No entanto, os interesses financeiros não devem se sobrepor à saúde das pessoas, o que, infelizmente, acaba acontecendo. Isso ocorre por meio da influência na atuação dos agentes políticos, com a criação de leis que permitem o uso de produtos nocivos e com a destituição da capacidade de fiscalização e regulação das agências públicas.
Além da prevalência do interesse econômico sobre o bem-estar da população, temos também a desinformação dos produtores rurais, que se manifesta na falta de capacitação no manuseio dos agrotóxicos e pelo uso insuficiente de métodos naturais de controle de pragas, como o controle biológico. Para Aristóteles, o exercício virtuoso da política tem por fim a felicidade dos cidadãos da pólis, e segundo Platão, o Estado ideal deve educar os cidadãos para o exercício ideal de suas funções. No Brasil atual, não podemos dizer que cumprimos esses dois critérios.
O uso da tecnologia no campo, como visto, certamente extrapolou suas funções de sustento e melhoria da qualidade de vida da população, sendo também fonte de uma busca desenfreada por lucros. Para superarmos isso, devemos tomar algumas medidas. A primeira delas é retomar a capacidade de regulação e fiscalização das agências públicas, em especial o Ibama e a Anvisa, dando-lhes autonomia suficiente para exercerem suas funções sem pressões políticas e financeiras. É preciso também capacitar o trabalhador do campo no manuseio correto dos defensivos agrícolas e informando-o sobre métodos alternativos de controle de pragas, por meio de cursos técnicos obrigatórios formulados pelo Ministério da Educação. Por último, deve-se elaborar um programa de incentivos fiscais para os produtores rurais que utilizam métodos naturais de controle de pragas. Desse modo, podemos obter um equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e social do nosso país.