O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 21/10/2018
O Brasil já é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, segundo a Abrasco, e, entre 1992 e 2012, quase 2500 pessoas morreram por intoxicação direta, de acordo com a ONG Observatório Social. Esses dados evidenciam a dimensão da problemática com o uso abusivo de agrotóxicos, que ainda são capazes de poluir os solos, rios e lençóis freáticos, causando impactos negativos ao meio ambiente.
Nesse contexto, é importante compreender que essas pesquisas são incapazes de quantificar a quantidade de pessoas acometidas por efeitos adversos do contato com essas substâncias, como infertilidade, puberdade precoce e câncer, para citar alguns. Esses são agravantes que entram nas contas do Sistema Único de Saúde (SUS), que fica sobrecarregado com tamanha demanda. Nessa toada, é infeliz pensar que a Bancada Ruralista ainda faz lobby para o afrouxamento de leis em seu favor.
Entretanto, ainda com todo o mal que geram, os agrotóxicos são importantes para o agronegócio, pois são responsáveis por blindar as culturas de doenças e pragas, sob o risco do não uso acarretar a perda completa de safras. Não obstante, há outras alternativas atualmente, sendo uma delas o controle biológico, que se baseia em utilizar animais e micro-organismos predadores naturais das pragas para sua contenção. Essa alternativa, mesmo que não elimine completamente o uso de químicos, pode permitir uma redução significativa.
Portanto, em razão do desinteresse mostrado pelo legislativo, cabe ao Executivo Federal restringir à ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autonomia para a liberação e controle do uso de agrotóxicos, por meio de medida provisória, a fim de diminuir as incursões da Bancada Ruralista no tema. Outrossim, a Embrapa e a iniciativa privada podem unir esforços para o desenvolvimento de técnicas de controle biológico e culturas resistentes. Essas medidas serão capazes de diminuir casos de poluição e intoxicação, ultimamente diminuindo os gastos do Estado com o SUS e problemas ambientais derivados desses excessos.