O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 22/10/2018

Conforme o pensamento marxiano, há, em todas as facetas de uma sociedade, ligação com seu processo produtivo. Nesse sentido, no atual âmbito capitalista vivenciado no Brasil, encontra-se a dúbia e bilateral questão dos agrotóxicos. Se, por um lado, estes são ideais para um melhor rendimento das safras, por outro, têm tido seus benefícios questionados em razão dos seus remanescentes prejuízos para a saúde humana.

É indubitável que, com o advento da Revolução Industrial no século XVIII, a expectativa de vida se elevou proporcionalmente ao contingente populacional. Sob essa ótica, pode-se afirmar que os insumos agrícolas foram - e ainda são - os responsáveis pelo incremento de produtividade nas lavouras, o que permite a produção suficiente  de alimentos para as grandes massas. Entretanto, apesar de sua importância, seu uso nos mais variados produtos alimentícios tem sido feito de maneira indiscriminada, o que tem levado à intoxicação das mais diversas formas de vida, aquáticas ou terrestres; animadas ou inanimadas. Assim, fica evidente a máxima de Thomas Hobbes de que ‘‘o homem é o lobo do homem’’, pois, uma das maiores inovações do ser humano, digna do Nobel de Medicina de 1948, tem se tornado uma de suas piores inimigas, castrando a biodiversidade do planeta e a saúde dos homens.

Ademais, de acordo com dados de 2017 do IBGE, o uso de agrotóxicos no Brasil aumentou em 20% somente na última década. Esse fato é fruto da desenfreada política econômica do governo brasileiro, que coloca metas de exportação acima de seu dever de garantir a saúde dos cidadãos. Sob essa perspectiva, além de permitir o uso de defensivos agrícolas já censurados em países desenvolvidos como Estados Unidos e União Europeia, o Estado ainda é omisso na fiscalização das toneladas de substâncias utilizadas diariamente, o que evidencia falhas na sua política de conciliação entre desenvolvimento econômico e sustentabilidade.

Em face do exposto, de maneira análoga à Lei da Inércia de Newton, enquanto a força da iniciativa governamental não agir sobre a questão do uso de agrotóxicos, os malefícios dessas substâncias manterão seu movimento. Assim, cabe ao Estado investir em melhorias no sistema de fiscalização de agrotóxicos, preparando maior quantidade de agentes fiscalizadores em todo o território nacional, além de expandir as unidades de fiscalização para além dos grandes centros do agronegócio, de maneira a obter uma melhor coleta de dados e regulamentação mais eficiente em todo o país. Além disso, em parceria com a iniciativa privada, o Ministério da Educação, juntamente com o da Agricultura, devem financiar pesquisas em universidades, para que estas desenvolvam soluções que minimizem os danos dessas substâncias no meio ambiente e na saúde dos indivíduos e seus efeitos sejam apenas positivos.