O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 22/10/2018

Veneno à la carte

Infertilidade, problemas gástricos, degeneração visual, câncer, necrose e morte; Esses são alguns dos acompanhamentos de um prato com agrotóxicos. Por meio deles, a revolução verde, originada no México na década de 50, a qual trouxe um salto na produção de alimentos, foi possível; sua chegada ao Brasil deu-se em meados de 60. Conquanto, a introdução dessas substâncias químicas acarretou na poluição das águas, perda de biodiversidade, intoxicação humana e concentração fundiária. Tais problemas exemplificam porque seu uso deve ser, urgentemente, controlado e reduzido.

Neste cenário pós-revolução verde, os agrotóxicos são vistos como indispensáveis para a produção agrícola, sobretudo num país baseado em monocultura extensiva, como o Brasil, o que, entre outros fatores, promove o acúmulo de terras e produção voltada para o mercado externo, gerando desabastecimento de produtos agrícolas no país, e, consequentemente, fome. No entanto, tal visão se torna ultrapassada, ao analisar as produções hidropônicas asiáticas e orgânicas europeias, as quais dispensam o uso de aditivos químicos em prol de tecnologias sofisticadas.

Outrossim, percebe-se, neste cenário, um grave risco à saúde pública, pois a maioria destes compostos, a exemplo do glifosato - largamente usado no combate a ervas daninhas - são solúveis em água, o que acarreta em sua deposição em aquíferos, principalmente nas regiões rurais, podendo, posteriormente, contaminar a população que retira sua água dessas fontes. Tal fato é evidenciado pelo Programa de Vigilância da Saúde das Populações Expostas a Agrotóxicos, da Universidade de Campinas (Unicamp), que diz que 1,5 milhão de trabalhadores rurais estão intoxicados por agrotóxicos nessas localizações.

Também faz-se válido ressaltar, que aqueles que moram nas cidades não estão imunes a esses riscos, pois, cerca de 110 mil casos de intoxicação grave por agrotóxicos ocorreram de 1999 a 2012, sobretudo advindos de produtos agrícolas, como mostrado pelo levantamento feito pela Fundação Oswaldo Cruz.

Dessa forma, faz-se necessária a implantação pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa, de programas voltados ao desenvolvimento orgânico, introduzindo, no meio rural, técnicas, como a de controle biológico e cultivo hidropônico, sobretudo em latifúndios responsáveis pelo grande uso de agrotóxicos, com apoio de verbas do Estado.

Por fim, promovendo a redução de químicos nocivos, se promove ademais muito mais saúde e biodiversidade, não só na lavoura como também na mesa.