O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 23/10/2018

No Brasil e no mundo, a complexa e dilemática questão a respeito do uso de agrotóxicos revela uma necessidade de uma reflexão social sobre o impacto desses produtos na saúde da população. Frente a esse dilema, analisa-se que o uso abusivo de insumos agrícolas colabora para o aparecimento de doenças e, ainda, a falta de incentivos públicos para a produção de alimentos orgânicos e uma fraca  educação alimentar  da sociedade contribui para uma desconstrução da qualidade de vida, além de favorecer o surgimento de novos indivíduos doentes cada vez mais jovens.

Em primeira abordagem, é válido reconhecer a importância dos biocidas para a produção em massa de alimentos, conforme a demanda do mercado mundial, entretanto, o uso agressivo e incontrolado desses pesticidas contribui para distribuição de produtos agrícolas com alto teor de veneno. Nesse viés, o brasileiro consome em média cerca de 5,2 litros de agrotóxicos todos os anos, conforme os dados divulgados pelo portal G1. Aliado a isso, esse índice alarmante revela uma problemática relacionada ao aparecimento de doenças como pressão alta, obesidade e distúrbios hormonais em decorrência do consumo de praguicidas em excesso, ocasionando adversidades maiores para o sistema público de saúde.

Ainda nessa linha reflexiva, a baixa produção de orgânicos decorre, especialmente, das barreiras comerciais e, ainda, aliada à uma carente educação alimentar gera uma dificuldade na comercialização desse tipo de produto. Nessa apreensão, a falta de incentivos fiscais governamentais cria um obstáculo para os pequenos produtores de alimentos naturais, além de encontrarem outra barreira relacionada a venda e ao baixo consumo desse tipo de produto em virtude de um deficiente ensino nutricional da sociedade brasileira e mundial, consoante aos pensamentos do geógrafo Milton Santos. Ademais, a perpetuação desse tipo de comportamento poderá contribuir para a formação de uma população cada vez menos nutrida e mais doente.

Face a esse dilema, mostra-se imprescindível, portanto, a elaboração de um programa nacional com a integração das secretarias municipais de saúde em conjunto com a população para desenvolver hortas comunitárias, com o intuito de atenuar a ingestão de alimentos com altos índices de agrotóxicos. É, ainda, viável, que escolas e universidades elaborem palestras, debates, mesas redondas e seminários abertos ao público em geral com o objetivo de disseminar informações e dicas sobre alimentação saudável. Além disso, as secretárias municipais de meio ambiente devem criar um projeto com a participação de pequenos produtores rurais, com o propósito de estimular o cultivo de orgânicos através do oferecimento incentivos fiscais por parte da produção.