O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 29/10/2018
Desde a Revolução Agrícola, ocorrida ainda no Período Neolítico, o homem tem buscado formas de produzir seu próprio alimento sem depender apenas das causas naturais. Atualmente, no Brasil, a utilização de fertilizantes e inseticidas nas lavouras, sobretudo nos latifúndios monocultores, tem crescido nos últimos anos. No que se refere a utilização de agrotóxicos é possível destacar aspectos tanto positivos quanto negativos, se por uma lado seu uso aumenta a produtividade; por outro o uso demasiado traz riscos à vida humana.
Em uma primeira análise, é inegável a necessidade da utilização de agrotóxicos para uma maior produtividade alimentícia. Segundo o economista Thomas Malthus em sua obra " Ensaio sobre a população", a humanidade cresceria de forma mais acelerada que a capacidade de se produzir alimentos, o que acarretaria em fome mundial. No entanto, a atualização de defensivos agrícolas, ato acelerado após a Segunda Guerra Mundial, tem contribuído para que a afirmativa se mostre falsa, haja vista sua eficacia no combate a perca de lavouras por pragas e deficiências minerais no solo. Fato que colabora com isso são os dados do IBGE(Sistema Sidra), que verifica, nos períodos de 2002 a 2011, um aumento de 45,7% na produtividade de alimentos no Brasil pelo uso de tais substâncias.
Ainda sim, vale salientar que tais insumos se mau utilizados podem vir a trazer risco à vida humana. De acordo com o relatório da Fundação Fiocruz, de 1999 a 2012, cerca de 115000 pessoas, principalmente no campo, se intoxicaram de forma aguda por causa dos agrotóxicos. Nesse sentido, as péssimas condições dos EPI´s-quando usados pelo trabalhador rural-, aliados a falta de técnicas de manejo e dosagem, além do não respeito ao período necessário para que a safra possa ser colhida, corroboram para a perpetuação de tal problema, uma vez que o envenenamento pela inalação de substâncias nocivas e pela ingestão de alimentos contaminados são os principais casos relatados no estudo.
Diante dos fatos, faz-se necessário que o Ministério da Agricultura, que tem por função a asseguração da agroindústria brasileira, aliada ao Poder Legislativo, promovam a diminuição no uso demasiados de agrotóxicos, por meio de leis que limitem a somente o necessário a compra de tais substâncias, e além disso leis que obriguem a utilização de EPI’s pelo trabalhador do campo, objetivando-se mitigar os casos de intoxicação. De mesmo modo, a Embrapa, em parceira com ONG´s, devem realizar, nos municípios, cursos técnicos e preparatórios sobre a utilização adequada dos defensivos, com o fito de eliminar os riscos de morte por envenenamento. Somente assim, com tais medidas, se poderá regular a utilização de algo que foi criado para ser o aliado do homem do campo.