O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 29/10/2018
De acordo com a Organização das Nações Unidas, 200 mil pessoas morrem anualmente, vitimas de envenenamento por pesticidas. Entretanto, por esse mal movimentar 10 bilhões de dólares ao ano - 20% do mercado global - grupos de poder buscam alterar leis em seu favor, colocando em risco a saúde da população. Nesse contexto, deve-se analisar como modificações no atual código e a falta de informação influenciam em sua uso exacerbado.
Interesses econômicos de grandes produtores rurais configuram-se como principais responsáveis pelo uso exacerbado de agrotóxicos. Isso acontece porque, sendo o Brasil predominantemente de clima tropical, não há inversos prolongados, responsáveis pela interrupção no ciclo das pragas, acarretando no uso para manter a produtividade. Em decorrência dessa atitude, tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei para alterar a nomenclatura “agrotóxico” por “defensivo agrícola”, desvinculando a toxicidade do produto, medida essa que afetará ainda mais os indivíduos e a natureza, retratado no documentário “O veneno está na mesa” do cineasta Silvio Tendler.
Outrossim, nota-se, ainda, que a falta de informação para a população sobre os graves riscos dos defensivos agrícolas, permite sua aplicação recorrente. Esse fato acontece pois, segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), alimentos como vegetais e frutas, por não possuírem embalagens descrevendo o modo de produção como nos alimentos industrializados, alienam o consumidor do direito à informação, além de colocar em risco sua saúde. É inaceitável a persistência da comercialização no Brasil de substâncias carcinogênicas, mutagênicas e teratogênicas em produtos de consumo humano, a exemplo da Antrazina e do Acefato, proibidos em outras nações. Ademais, cabe mencionar o dano ambiental silencioso, porém relevante, eliminando organismos da cadeia ecológica e, assim prejudicando o equilíbrio das pirâmides ambientais. Por consequência, os benefícios proporcionados pela ingestão dos alimentos citados, tornam-se controversos por possuírem tantos venenos.
É necessário, portanto, que a questão do uso de agrotóxicos seja revisada de maneira sinérgica pelos atores sociais, a fim de atenuar os males advindos dessa prática. Para tanto, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) em parceria com as universidades de Agronomia e Ciências da Tecnologia, devem promover incentivos aos alunos com bolsas e pesquisas no controle de pragas através da tecnologia, propiciando ao produtor outros mecanismos de contenção além dos pesticidas. Por sua vez, o Ministério da Saúde deve exigir junto ao Ministério Publico uma tabela de informações para o consumidor nos Supermercados e feiras livres, contendo o modo de produção e cultivo do item vendido, esclarecendo assim o que está sendo comprado, direito já garantido e que merece ampliação.