O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 24/10/2018

Após a terceira revolução industrial, com o advento da robótica e da revolução verde,  o uso de agrotóxicos têm aumentado de forma exponencial ao longo dos últimos anos, sendo o Brasil um campeão nesse assunto. Portanto, considerando que temos uma legislação atrasada no quesito dessas substâncias e somos um dos maiores consumidores, podemos levar em voga a questão do uso indiscriminado de agrotóxicos nos solos brasileiros.

Em primeira análise, o Brasil assume a primeira posição no ranking de consumidores mundiais de agrotóxicos, com o total de 10 bilhões de dólares no ano de 2013, segundo pesquisa da Universidade Estadual de São Paulo - UNESP. Somado a esse dado, uma pesquisa da Revista Problemas Brasileiros revelou o consumo de 7 litros de agrotóxico por ano. Ou seja, o uso exacerbado dessas substâncias na agricultura leva a um consumo prejudicial dos mesmos pela população, desencadeando quadros graves de saúde como intoxicações e suas complicações, tendo o número de 22 intoxicações por dia e 2449 mortes entre 1999 e 2012, segundo pesquisa da Fundação Osvaldo Cruz - Fiocruz e parcerias.

Ainda nesse contexto, a legislação brasileira atual cobra na aprovação do agrotóxico apenas o teste de periculosidade, ou seja, os danos do produto à saúde humana. Além disso, é permitido o uso de substâncias como o acetato e atrazina, ambas proibidas na União Europeia pelos danos que causam às pessoas. Sendo assim, o Ministério da Saúde, junto de Organizações Não Governamentais, como o Green Peace, propõem que seja adotada a análise de risco no lugar do teste, que além de considerar os fatores de toxicidade, ainda leva em conta os fatores climáticos e de uso do produto, como tempo de exposição e permanência da substância. Em suma, a legislação brasileira é atrasada no quesito da proteção ao trabalhador e consumidor, além de ser liberal quanto à alguns produtos já banidos internacionalmente.

Levando em consideração todos os pontos levantados, podemos concluir que o uso de agrotóxicos no Brasil é indiscriminado. Para tal problema, é necessário que o Estado, através do poder Legislativo, fortaleça as medidas preventivas para os trabalhadores e consumidores no novo pacote de medidas para o tema, como a análise de risco e o banimento das substâncias prejudiciais já comprovadas em outros países, garantindo maior grau de segurança à sociedade. Além disso, o Ministério da Agricultura deve cobrar da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, ANVISA, maior rigidez nas análises dos lotes de produção e junto com organizações como o Green Peace, oferecer cursos de aprimoramento no manuseio e uso dos agrotóxicos, buscando melhorar a questão do uso generalizado dos agrotóxicos no campo e consequente o seu consumo.