O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 30/10/2018

Promulgada em 1988, a Constituição Federal garante a saúde como direito fundamental do ser humano, devendo o Estado prover as condições indispensáveis ao seu pleno exercício. No entanto, o uso irresponsável de agrotóxicos demonstra que esse direito não está sendo exercido. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar-se os fatores que favorecem esse quadro: baixo investimento em meios alternativos do controle de pragas e falta de fiscalização nas lavouras.

Hodiernamente, ocupando a nona posição na economia mundial, e sendo um país de clima predominantemente tropical, o que favorece a agricultura, é racional acreditar que o Brasil seja exemplo de agricultura saudável sem venenos. Contudo, a realidade é diametralmente oposta a essa expectativa, e o contraste disso é claramente refletido no número de vítimas por ano no nosso país. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz, cerca de 22 intoxicações causadas por agrotóxicos acontecem por dia. Diante do exposto, é inadmissível que um país com as condições Brasil seja o terceiro maior consumidor de agrotóxicos no mundo, dado do jornal do senado.

Ademais, a grande maioria dos trabalhadores das lavouras não usam equipamentos de proteção no momento em que manipulam os venenos, e isso acaba sendo um impulsionador do problema. Nesse contexto, é possível fazer um paralelo com o período da revolução industrial entre os séculos XVIII e XIX, em que o empregado era visto como uma peça substituível para o patrão, no caso atual, se um trabalhador é intoxicado logo será substituído por outro.

Infere-se portanto, que o União deve garantir maiores recursos financeiros para o Ministério da Agricultura, o qual terá de cobrir a maior área possível de plantação com estufas, uma vez com essa estrutura, a plantação estará livre de pragas e fatores externos, dispensando o uso de agrotóxicos. Além disso, o mesmo deve fiscalizar as condições de trabalho dos empregados, garantindo sua segurança com equipamentos de proteção.