O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 28/10/2018
A obra “Primavera Silenciosa”, de Rachel Carson, tornou-se fundamental para os movimentos ambientais vigentes. Nesse sentido, passados mais de meio século, a problemática do uso indiscriminado de substâncias químicas é, infelizmente, uma assertiva vigorante na agricultura do Brasil. Sobre essa óptica, é válido refletir a respeito dos efeitos da ineficiente fiscalização sobre esses produtos e da precária capacitação do trabalhador rural.
Dessa forma, cresce vertiginosamente no país crimes de caráter ambiental. A saber, é comum em noticiários ações da PRF (Polícia Rodoviária Federal) na apreensão de defensivos agrícolas falsificados e contrabandeados de países como o Paraguai. Defere-se, portanto, que as leis atuais não garantem consciência ecológica, pois ao adquirir o fabrico clandestino, esses indivíduos não realizam o descarte correto da embalagem, causado assim a poluição do solo e da água.
Outrossim, a Chapada do Apodi localizada entres os estados do Ceará e do Rio Grande do Norte, é hoje um verdadeiro símbolo de resistência ao uso de agrotóxicos. Decerto, o mau uso e a aquisição ilegal é resultado da péssima capacitação profissional dos produtores, pois esses ficam à margem das normas para segurança nesse ambiente. Isto é, a agricultura pulverizada na região marcou incidência carcinogênica 38% maior que nos municípios próximos, segundo o núcleo de trabalho ambiental e saúde, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC).
À luz dessas considerações, urge ao Ministério da Agricultura, incentivar o cultivo familiar e de subsistência junto aos produtores brasileiros, além de estimular à produção orgânica, afim de diminuir esse uso indiscriminado. Para mais, é importante que o Poder Legislativo reformule a Lei dos Agrotóxicos, tipificando fortemente a compra e o uso irregular como crime. Ademais, cabe ao Ministério Público intervir na fiscalização, promovendo mais força ao trabalho da PRF. Por fim, faz-se indispensável a atuação dos municípios no processo de profissionalização desses trabalhadores rurais para que esses utilizem corretamente os equipamentos de biossegurança.