O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 16/03/2019

Segundo a historiadora Lilian Schwarcz, durante o Período Colonial a metrópole implantou o sistema plantation, caracterizado pelo uso do latifúndio monocultor voltado para a exportação. Naturalmente, o passado colonial influenciou a dinâmica econômica da contemporaneidade, visto que o maior país da América do Sul tornou-se um dos maiores exportadores agrícolas do mundo. Entretanto, a notável produtividade do campo também está associada ao uso excessivo de agrotóxicos que causam prejuízos à saúde dos trabalhadores rurais e dos consumidores. Portanto, medidas devem ser tomadas.

A Revolução Verde teve como finalidade desenvolver técnicas e mecanismos que viabilizassem o amento da produtividade agrícola, pois de acordo com a lei da oferta e da procura uma maior quantidade de produtos alimentícios disponíveis ao mercado causaria a redução dos preços dos alimentos e consequentemente a diminuição da miséria. Contudo, apesar do propósito humanitário uma das novas técnicas empregadas foi o uso dos defensivos agrícolas que hoje, frequentemente, são a causa de intoxicações, problemas neurológicos e desenvolvimento de câncer nos trabalhadores que manuseiam e aplicam esses produtos nas lavouras. Isso ocorre devido à diminuta fiscalização realizada nas grandes fazendas, onde os funcionários trabalham sem a proteção adequada, bem como ocorre a utilização de substâncias proibidas ou acima da concentração ideal. Exemplo disso, é a Chapada do Apodi, região produtora de frutas que de acordo com pequisa da UFC sofre com altos índices de câncer na população que vive próxima às propriedades rurais.

Outrossim, o documentário “O veneno está na mesa” retrata como o uso crescente de agrotóxicos produz alimentos com uma boa aparência, mas que possuem elevados níveis de substâncias prejudiciais a saúde. Nesse contexto, o consumidor assemelha-se à branca de neve que aceita uma bonita maçã envenenada fornecida pela bruxa. Entretanto, ao contrário da personagem da Disney o consumidor não o faz por ingenuidade, mas por razões econômicas, visto que, o preço dos alimentos orgânicos é muito elevado.

Assim, historicamente o Brasil é um país com boa produtividade agrícola, mas mesmo assim utiliza os agrotóxicos para maximizar a produção. Diante disso, o Ministério da Agricultura e a ANVISA devem promover a realização de visitas periódicas, com um corpo técnico competente as fazendas produtoras de alimentos para verificar se os trabalhadores rurais têm acesso aos EPI’s, bem como se os defensivos agrícolas são usados corretamente. Além disso, para auxiliar na solução desse problema é importante que as prefeituras associem-se aos pequenos produtores rurais, por meio de parcerias público privadas, com a finalidade de elaborar feiras orgânicas com preços mais acessíveis. Por fim, com essas medidas o uso dessas substâncias nocivas será reduzido significativamente.