O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 30/10/2018
A agropecuária intensiva, que busca o máximo de produção com altos investimentos, se vale de diversos métodos para o aumento dos lucros, dos quais se destaca a utilização, em larga escala, de agrotóxicos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revelou que diversas frutas e hortaliças chegam à mesa do consumidor com resíduos de pesticidas biocamulativos, que se acumulam a cada nível trófico da cadeia alimentar, acima do permitido. Problemas como a natureza predatória e egoísta do capitalismo e a falta de fiscalização efetiva do Estado agravam ainda mais esse quadro.
O sistema econômico capitalista possui nos códons de seu DNA os nucleotídeos da indiferença social. De acordo com o entendimento do sociólogo pós-moderno Zygmunt Bauman, o homem não segue mais os padrões fixos e duradouros do passado, agora tudo é líquido, volátil, uma verdadeira busca pela felicidade instantânea e individual. Desse modo, é possível inferir que tal narcisismo terá como consequência a desvalorização do próximo, bem como do meio ambiente que o cerca. Assim, fica destacada a importância que a sociedade tem de combater esse capitalismo voraz que isola socialmente os cidadãos e põe em risco a sustentabilidade do bioma mundial.
De 1999 a 2012 o Brasil teve registrados, de acordo com a FIOCRUZ, 114.598 casos de intoxicação por agrotóxicos . Depreende-se dos estudos de Roberto DaMatta, cientista político niteroiense, que as ruas são um território hostil, onde a lei só se mantém sob vigília constante da autoridade. Sendo assim, fica latente a importância que o poder público possui em fiscalizar, coibir e, eventualmente, punir de forma efetiva a utilização desenfreada e ilegal de pesticidas na agricultura nacional.
Portanto, fica evidenciado o papel que os próprios cidadãos tem, como defensores unitários de sua pátria, em combater as atuais práticas capitalistas que levam ao isolamento social do cidadão comum e ao envenenamento e esgotamento dos recursos naturais. Bem como, a necessidade urgente de fiscalização efetiva, pelo governo, do uso irregular dos agrotóxicos, com a criação de um verdadeiro panóptico para coibir tais práticas. Para iniciar a solução de tal problemática, o governo deve, através de parcerias Público-Privadas(PPPs), contratar agentes que fiscalizarão se as plantações e seus produtos finais estão com níveis de agrotóxicos dentro dos parâmetros legais previstos. As empresas parceiras, que serão os contratantes dos agentes, ficarão com parte do percentual das multas aplicadas e a União investiria o restante do valor arrecadado no tratamento das vítimas desse sistema envenenado. Assim, os cidadãos terão seu direito à alimentação saudável garantido e o meio ambiente estará devidamente protegido. Visto que, ações imediatas são necessárias e como afirmou Edmund Burke: “para que o mal triunfe basta que os bons nada façam”.