O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 02/11/2018
No Renascimento Cultural, tinha-se, como princípio básico, a valorização do homem e da natureza, e essa lógica levou a grandes avanços no século XV. No entanto, quando se observa a incidência abusiva do uso de agrotóxicos no Brasil, percebe-se um afastamento desse ideal renascentista, visto que, apesar de crucial, a qualidade dos alimentos comercializados está, muitas vezes, restrita à falta de fiscalização e ao desinteresse popular. Assim, torna-se fundamental a ação conjunta entre Estado e sociedade civil no combate aos entraves relacionados a essa problemática.
Na obra, “O processo civilizatório”, escrita pelo sociólogo alemão Norbert Elias, os problemas sociais são vistos como estruturas atreladas à cultura. De forma análoga, no âmbito nacional, o interesse da sociedade, em relação à composição dos alimentos consumidos, nunca fez parte da cultura brasileira. Essa questão sinaliza a necessidade de ações imediatas no tocante a alertar e informar as pessoas acerca dessa realidade.
Ademais, destaca-se como principal impulsionador do uso desenfreado de defensivos agrícolas, a omissão do poder público em relação à fiscalização nas plantações e distribuidoras. Tal fator reflete de forma incisa na realidade atual, o que pode ser exemplificado nos dados elencados pela Fiocruz, que apontam 114.598 registros de intoxicações agudas causadas por agrotóxicos entre 1999 e 2012 no Brasil.
Em suma, a resolução de problemas complexos, não virá de atitudes isoladas. Portanto, para a efetivação do controle do uso de pesticidas no país, cabe ao Poder Executivo, por meio do Ministério da Agricultura, intensificar a fiscalização e enrijecer as leis de controle de qualidade do setor agrícola. Em paralelo, é de responsabilidade de ONGs e OSCIPs, promover, por meio de palestras e campanhas, a informação da sociedade, trazendo o assunto para a discussão social, a fim de pressionar as instituições brasileiras. Afina, para Mahatma Gandhi, “soluções podem nascer de ideias, mas só se efetivam pelo engajamento coletivo”.