O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 18/03/2019
O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos no mundo, segundo dados do Dossiê Abrasco. Diante desse fato, é evidente que a população brasileira, assim como outras de países que também utilizam muitos defensivos agrícolas, sofre com as consequências do descaso dos políticos para com a sociedade. Nesse sentido, o mundo como um todo é influenciado pelos danos dos agentes fitossanitários, seja por meio da intoxicação direta, como ocorreu em Bhopal, ou indireta, pela água, solo ou alimentos, o que salienta a necessidade da revisão acerca do uso dos agrotóxicos.
Em meio a esse assunto, é válido ressaltar que os pesticidas podem causar diversos danos á população humana, como câncer e má formação congênita, e ao meio ambiente, já que pode propiciar a extinção de espécies, como foi o caso do glifosato, apontado como causador da morte de abelhas. Mesmo assim, os políticos continuam a propagar a utilização dos fitossanitários, feito evidente com a Proposta de Lei de 2002, apelidada como “PL do Veneno”, que propõe uma maior flexibilização no uso dos agentes sanitários, além da posição do governo de Jair Bolsonaro acerca do assunto, visto que, mesmo com o mandato ainda no início, já foram liberados mais de 80 tipos de agrotóxicos, segundo dados do Diário da União.
Nesse âmbito, com a facilidade dos agricultores em adquirir os pesticidas, o impacto sobre o ambiente como um todo é inegável. Exemplo disso foi o acidente, em 1984, em uma fábrica de agrotóxico na cidade de Bhopal, em território indiano. Nessa lógica, houve uma explosão em um dos tanques, o que acabou resultando em uma nuvem letal que causou a morte de diversas pessoas e, até hoje, provoca alterações congênitas na população da região. Ademais, o meio ambiente também sofre com isso, já que, com a alta quantidade de fitossanitários usados, há a contaminação de água e solo, que pode vir a causar a extinção de espécies pelo contato com os meios contaminados. É por conta de feitos como esses que a Justiça Europeia, no dia 07/03/2019, exigiu acesso público a estudos sobre o glifosato.
Portanto, ações são necessárias para reduzir os danos do alto uso de agrotóxicos. De imediato, o Ministério da Agricultura deve dispor de opções de cultivo, o que pode ser feito por intermédio da implantação de cursos gratuitos que capacitem produtores rurais a utilizar a agroecologia, sendo ela menos invasiva, na intenção de diminuir os impactos dos pesticidas. Ademais, o Ministério Público tem o papel de informar à população os reais efeitos dos fitossanitários sobre o ambiente, sendo feito por meio da disponibilização de publicações nas redes sociais, com a opinião de especialistas, no intuito de notificar os perigos causados pelo uso exacerbado dos defensivos agrícolas.