O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 24/03/2019
A vulgarização do uso de agrotóxicos
Desde 2008, o Brasil, afamado historicamente por sua exportação maciça de gêneros alimentícios, detém a alcunha de maior consumidor de agrotóxicos em todo o mundo. Tal panorama aponta para um verdadeiro paradoxo no tocante ao uso de herbicidas, cuja finalidade primeira é a combater a disseminação de pragas nas plantações e eventuais doenças, mas que acarreta consequências catastróficas a médio e longo prazo nas cadeias alimentares, seja ameaçando a saúde humana ou pondo em risco diversos ecossistemas. Dessa forma, põe-se em xeque o uso de tais substâncias, uma vez que a contemporaneidade já viabiliza o uso de técnicas menos agressivas, garantindo, concomitantemente, uma alta produtividade de alimentos.
A nova legislação agrária brasileira, aprovada em 2018 pelo Ministério da Agricultura, move-se num sentido diametralmente oposto do que ocorre atualmente em países mais desenvolvidos, uma vez as novas leis retêm prerrogativas que garantem uma maior rigidez do uso de agrotóxicos em produções agrícolas. Tal retrocesso garante uma liberação ainda maior de herbicidas e fungicidas, o que promove a amplificação da contaminação do solo, de lençóis freáticos, e do ser humano, em detrimento da política econômica exportadora do Brasil. Por conseguinte, facilita-se o recrudescimento de doenças como disfunções neurológicas, cânceres e até casos de suicídio, patologias essas comprovadas pela OMS como impactos direto do uso deliberado dos agrotóxicos na saúde do ser humano.
Cabe ressaltar ainda que a disseminação incauta e deliberada de herbicidas no campo acarreta, entre tantos problemas, a morte em massa de abelhas e tantos outros animais. Contudo, a morte destes seres representa tanto uma perda de patrimônio genético, como um prejuízo incomensurável à população humana, já que as abelhas e outros insetos são animais polinizadores, e responsáveis por viabilizarem a grande maioria das produções de culturas alimentícias. Assim sendo, a morte de animais polinizadores, sobretudo do gênero Apoidea, corroboram um verdadeiro colapso na produtividade agrícola, possibilitando inclusive episódios generalizados de fome e escassez de alimentos.
Em função da problemática no uso de agrotóxicos, mudanças se fazem necessárias, a começar pela coadunação entre os produtores e o Ministério da Agricultura a fim de que se possibilite o uso de métodos mais sustentáveis de produção, como a Biotecnologia, a partir de princípios da engenharia genética, ou o uso de estufas sustentáveis, de forma que gradualmente os agrotóxicos venham a ser abolidos das produções agrícolas, e uma maior qualidade de vida seja assegurada aos consumidores a partir de mercadorias mais saudáveis e seguras.