O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 11/05/2019

A partir da década de 1950 teve início no mundo o movimento de “Revolução Verde”, no qual novas técnicas e processos, como o uso de agrotóxicos, passaram a ser utilizadas na agricultura com o objetivo de aumento de produtividade. Esses compostos trouxeram grande ganho econômico para países como o Brasil, em que a atividade agrícola exerce grande papel na economia nacional. No entanto, a utilização em larga escala de defensivos agrícolas produz graves problemas à sociedade brasileira, a saber, danos à saúde humana e ao meio ambiente.

Em primeiro lugar, a ingestão de pesticidas, presentes na forma de resíduos em frutas e legumes, acarreta prejuízos sérios à saúde do ser humano. Segundo dossiê publicado pela ABRASCO, associação brasileira de saúde coletiva, o consumo crônico de agroquímicos está relacionado ao surgimento de doenças neurológicas e à formação de alguns tipos de tumores. Essa informação é alarmante pelo fato de que grande parte dos alimentos ingeridos pela população é contaminada com tais compostos, aproximadamente um terço deles segundo a ANVISA. Assim, é inegável que a ingestão de agrotóxicos, causada pelo seu uso excessivo em lavouras agrícolas, é prejudicial para o bem-estar físico dos indivíduos. Desta maneira, as políticas brasileiras acerca do uso intensivo de agrotóxicos se mostram insustentáveis do ponto de vista da saúde pública.

Adicionalmente, os impactos ambientais causados pelos agroquímicos também levam a efeitos negativos para a sociedade brasileira. De acordo com o relatório da ONU sobre o direito à alimentação, de 2017, pesticidas representam uma ameaça global aos sistemas ecológicos, do qual a produção de alimentos depende. Isso ocorre, por exemplo, porque praguicidas usados no campo chegam aos mares e rios através do processo de lixiviação. Consequentemente, há uma alta mortalidade de peixes em decorrência da contaminação. Essa situação é extremamente prejudicial para inúmeras comunidades do país que possuem na atividade pesqueira sua principal fonte de renda. Portanto, a perda ambiental gerada pelos pesticidas também leva a significativos problemas sociais.

Destarte, a utilização em larga escala de defensores agrícolas provoca, apesar de grande benefício econômico, grandes prejuízos de ordem ambiental e de saúde humana para o Brasil. É mister que o Ministério do Meio Ambiente, por meio de verbas institucionais e com o auxílio de ONGs, invista em práticas agrícolas sustentáveis, como a agroecologia. A partir disso, pequenos e médios produtos rurais serão incentivados a produzirem alimentos sem o uso de agrotóxicos. Essa produção não substituirá as grandes plantações, nas quais agroquímicos são usados, mas contribuirá para sua redução, de forma que haja um equilíbrio entre o ganho econômico e a saúde da população.