O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 27/06/2019

Na década de 1950, no Brasil, a Revolução Verde alterou as estruturas das relações no campo, aumentando a produção de alimentos com o discurso de encerrar a fome no mundo. Hodiernamente, todavia, sabe-se que apesar do barateamento da produção, não houve redução da inanição e por conseguinte envenena-se cada vez mais o meio ambiente e a população mundial. Logo, é necessário a redução drástica do consumo de agrotóxicos para não comprometer as gerações futuras.

A priori, a evolução da biotecnologia no campo conseguiu mitigar as infestações de pragas nas lavouras pela utilização de defensivos agrícolas. Entretanto, o uso indiscriminado desses produtos desconsiderando as quantidades recomendadas nas embalagens, ou mesmo o emprego de herbicidas e fungicidas inadequados a determinado cultivo produz impactos ambientais severos, poluindo os solos, cursos d’água e consequentemente reduzem a biodiversidade. Prova disso é o caso de meio bilhão de abelhas que foram encontradas mortas nas áreas de cultivo na região sul do Brasil, segundo dados divulgados pela Agência Pública, 80% apresentavam agrotóxico conforme análises laboratoriais.

Outrossim, os malefícios do uso abusivo de agroquímicos não oferecem risco apenas para o meio ambiente, mas também para os seres humanos. O Dossiê Abrasco - produzido pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva - aponta o Brasil como maior consumidor mundial de agrotóxicos, sendo responsável pela utilização de cerca de 20% da produção mundial desde 2008. Seja pelo manuseio irregular pelos produtores, seja pela economia nacional pautada na exportação dessas commodities, o uso do veneno é responsável pelo aumento dos casos de depressão e câncer entre os lavradores e o nascimento de crianças com anomalias devido a alta contaminação das cidades produtoras. Não menos grave é a repercussão na saúde do consumidor final que ao se alimentar com frutas e legumes não percebe que está sendo envenenado lentamente.

É mister, portanto, mitigar a utilização dos agro defensivos com vistas a assegurar a preservação do meio ambiente e da saúde coletiva global. Logo, cabe ao Ministério da Agricultura destinar verbas as secretarias locais para aplicação de cursos de capacitação aos produtores destacando a importância da aplicação em quantidade adequada e no cultivo específico destacando a necessidade da conservação dos solos inclusive para as gerações futuras. Não obstante, o Ministério da Saúde deve destinar fundos à campanhas informativas sobre quais os alimentos com maior Índice de contaminação e como os manusear de forma segura por meio de cartazes nos postos de saúde locais, inclusive nas pautas dos núcleos de saúde familiar a fim de minimizar a contaminação sem comprometer a segurança alimentar.