O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 30/06/2019
Desde o período colonial, a economia brasileira é fortemente baseada na exportação de produtos agrícolas, o que torna o país destaque no mercado mundial como uma potência no setor agropecuário. Logo, em virtude da grande demanda de produção, a utilização de agrotóxicos para o combate ao surgimento de pragas intensificou-se no Brasil. Todavia, apesar de revelar-se prejudicial à saúde humana e ao meio ambiente, o Estado brasileiro tem falhado na fiscalização e proibição do comércio de pesticidas nocivos em âmbito nacional. Diante deste panorama, cabe análise sobre as principais causas, consequências e possíveis intervenções para a inercial problemática em nossa sociedade.
Em primeiro lugar, por um lado, é possível compreender que a agropecuária tem representação significativa no Produto Interno Bruto do Brasil, o que explica a flexibilização do Estado quanto ao uso de pesticidas no meio rural. Por isso, no ano de 1989, a Lei de Agrotóxicos foi promulgada com o fito de fiscalizar o uso indiscriminado dos produtos na produção, porém, foi revogada pelo Congresso Nacional em 2018 devido à pressão exercida por grandes produtores. Logo, após a decisão, o governo brasileiro liberou a utilização de outros agroquímicos considerados ainda mais nocivos ao meio ambiente, o que segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, coloca o Brasil no topo do ranking dos maiores consumidores deste mercado no mundo, movimentando cerca de U$ 10 bilhões ao ano.
Em segundo lugar, por outro lado, o fato causa preocupação, pois o uso descontrolado dos tóxicos contamina o solo e resulta no processo de eutrofização, que consiste em um excesso de nutrientes na superfície aquática, aumentando o número de algas que consomem todo o oxigênio presente e matam os demais seres vivos. Ademais, o uso causa o empobrecimento do solo, tornando suas bactérias menos eficazes na captação de nitrogênio, o que acarreta em prejuízos na fauna e flora locais. Além disso, o consumo é ainda mais nocivo ao ser humano devido à bioacumulação, ou seja, acúmulo de agentes nocivos na biomassa do indivíduo, uma vez que este se encontra em maior nível trófico na cadeia alimentar, registrando cerca de 34.000 intoxicações por ano, segundo o Ministério da Saúde.
Tendo em vista o supracitado, é nítida a necessidade de mudanças na indústria agrícola no Brasil. Para isso, seria necessário que o governo incentivasse o produtor rural a substituir o uso de agrotóxicos em lavouras por biopesticidas naturais compostos de fungos, em troca de isenções fiscais. O produto serviria como mecanismo de defesa contra a ascensão de pragas, pois, uma vez consumido, o fungo tende a crescer dentro do inseto, o enfraquecendo e tornando-o presa fácil para seu predador. Logo, os impactos ambientais se reduziriam no país, apresentando para a população alimentos completamente saudáveis e livres de tóxicos, evitando, assim, futuros danos à saúde dos consumidores.