O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 21/06/2019
Após a Segunda Guerra Mundial, a Revolução Verde modernizou a agricultura mundial, especialmente com defensivos agrícolas, resultando em recordes de produção e oferta de alimentos. Porém, a partir da década de 1980, países desenvolvidos perceberam que os agrotóxicos causavam danos ao meio ambiente, aos trabalhadores e à população, razão pela qual criaram severas legislações regulamentando seu uso. O Brasil, por sua vez, embora interessado, tem agido muito mal com relação aos venenos.
Inicialmente, cumpre dizer que o Brasil gasta, segundo a ONU, cerca de 20% dos agrotóxicos do planeta. A situação é bem grave, pois, em 2013, eram utilizados no café cerca de 35 tipos de fitossanitários, sendo certo que 20 eram proibidos no resto do mundo. Além disso, pesquisas internacionais mostraram testes em ratos que desenvolveram tumores depois de beberem água com glifosato (herbicida usado na soja). Por fim, convém lembrar que, em 2019, o Ministério do Meio Ambiente fundiu-se ao Ministério da Agricultura, sendo aprovados, então, mais 150 tipos venenos.
Por isso, é compreensível quando a União Europeia rejeita produtos agrícolas brasileiros, com a finalidade de proteger sua população, enquanto o agronegócio nacional esperneia reclamando de barreiras fitossanitárias. Mas, a USP de lá não indica que um coquetel de 27 agrotóxicos contamina a água de um em cada quatro municípios, nem a Fiocruz de lá publica que existem 22 intoxicações por dia com os químicos da roça. De fato, o Brasil está errado em proteger a saúde das plantas em prejuízo da população.
Portanto, é necessário reconhecer a legitimidade do magistério do jurista ambiental Edis Milaré quando afirmou que, diante do potencial perigo, devemos prevenir danos. Nesse caso, é preciso que o Governo Federal reveja seu posicionamento e dê autonomia a órgãos ambientais, como o Ibama, com a finalidade de coordenar o registro e comercialização de agrotóxicos no Brasil, bem como quais os níveis máximos tolerados. Assim, esses órgãos poderiam fiscalizar mais, prevenindo o uso abusivo e multando transgressores. Desse modo, a saúde nacional agradeceria.