O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 30/06/2019
Consoante John Locke, contratualista britânico, o norte máximo do Estado deve ser a defesa da liberdade e, sobremodo, da vida de cada indivíduo. Todavia, o uso de agrotóxicos - de modo inconsequente - no mundo e, sobretudo, no Brasil, revela o quão distante este país se encontra de uma realidade em que tais garantias possuam total expressão. De tal sorte, a fim de mudar esse quadro, é preciso ponderar sobre dois aspectos: um é a negligência governamental para com a fiscalização das produções alimentícias nos campos; o outro é a falta de perspectiva social do brasileiro.
Cabe ressaltar, a princípio, que o menosprezo do governo no âmbito do controle da aplicação de químicos na produção de alimentos é fator determinante para a existência do problema. Afinal de contas, conforme manifesta Glauco, em ‘A República’, o homem exercerá a injustiça todas vezes em que a possibilidade de consequência for algo remoto. Nesse sentido, pois, com a inexpressão dos Três Poderes, os agro empresários buscam garantir o maior retorno financeiro por meio do emprego excessivo de agrotóxicos. Dessa forma, por conseguinte, o alimento chega ao consumidor com níveis absurdos de veneno - como mostrou o site do Senado, em 2018 - e põe em risco o que, segundo Herófilos, médico grego da antiguidade, é o bem maior do ser humano: a saúde.
Outrossim, a fraca ideia de fraternidade sociológica - própria de uma parcela expressiva desta nação -, também se configura como causa do obstáculo em análise. Isso porque, em consonância com Weber, sociólogo alemão, a contemporaneidade é permeado, majoritariamente, por indivíduos movidos pela ação social com relação aos fins, a saber, aquela que os faz sobrepor interesses particulares às aspirações sociais. Em tal cenário, os grandes produtores, não compreendem o bem estar geral como o maior de seus objetivos ou sequer como um deles. Sob esse viés, tem-se a origem dos malefícios ao meio ambiente, à integridade física e psicológica dos trabalhadores dos campos e do cidadão comum, afinal. Disso, por sua vez, justifica-se o enfraquecimento da coesão social.
Pode-se dizer, portanto, que os pontos supracitados alicerçam o óbice em comento e que, então, devem ser superados. Para tanto, primeiramente, é necessário que o Governo Federal busque aumentar sua presença nos processos produtivos do campo, por meio da promoção de frequentes auditorias, a fim de garantir a saúde da população. Em segundo lugar, o Ministério da Educação deve procurar fortalecer a consciência social do brasileiro, por intermédio da inserção, no calendário escolar, de dias voltados ao diálogo entre responsáveis, alunos e corpo docente, sobre assuntos que deixem claro o peso da ação do indivíduo na sociedade, para, com isso, prover à nação pessoas aptas ao exercer da cidadania plena. Assim sendo, seguir-se-á rumo ao mais sublime norte lockeano: a vida.