O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 20/06/2019

No contexto histórico, a Civilização Egípcia desenvolveu-se na região fértil do vale do Rio Nilo,  beneficiando-se do seu regime de cheias. Essa condição favoreceu a expansão da agricultura, que, mediante os avanço das técnicas agrícolas, acompanhou o avanço da humanidade.Nesse sentido, o progresso científico proporcionou o uso de agrotóxicos nesse ramo a fim de intensificar a produção. Entretanto, a utilização abusiva desses recursos culminam em impactos socioambientais na atualidade, em face de entraves governamentais e administrativos.

Em primeiro lugar, essa condição recai sobre o âmbito constitucional. A legislação brasileira, por exemplo, permite o uso de agroquímicos no cultivo de quantidade 400 e 200 vezes superior ao permitido na Europa, conforme veiculado pela FAO ( Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) .Tal permissividade é possível em função da própria nomenclatura defendida pela Bancada Ruralista - defensivos fitossanitários - , a qual visa estabelecer um caráter inofensivo à substâncias que, indubitavelmente, não são. Dessa forma, rever os interesses do Estado é fundamental para que ocorra a devida proteção ao meio ambiente, à saúde e ao consumidor de maneira efetiva.

Ademais, outro atenuante se dá na falta de controle na utilização dos produtos. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o uso de agrotóxicos no Brasil superou em duas vezes a média mundial da última década.  Esse aumento se deve, em especial, à falta de fiscalização adequada, segundo o professor Paulo Kageyama, do Departamento de Ciências Florestais da Universidade de São Paulo, uma vez que o número de fiscais do Ministério da Agricultura não é suficiente para a demanda nacional. Assim, essa situação sinaliza a negligência dos órgãos administrativos,  o que demanda maior seriedade na política de regulamentação no tocante aos riscos  do abuso de utensílios químicos.

Infere-se, portanto, que a falta de limites impede a utilização de agrotóxicos de forma adequada. Para que haja um equilíbrio,é necessário a atuação dos governos, mediante ações regulatórias, como aumentar o número de fiscais, informar sobre quais são as substancias nocivas ( reconhecendo os produtos como tóxicos e perigosos e não como meros insumos agrícolas ) e impedir o uso das mesmas, com o intuito de alertar o consumidor e proteger o meio ambiente. Além disso, é significativo repensar os conceitos da agricultura sob os pontos de vista social e ambiental,investindo em estudos, pesquisas e, até mesmo, na capacitação de pequenos agricultores, para que eles possam, por meio também do conhecimento técnico, aprender e aperfeiçoar os cuidado s da propriedade de forma sustentável.