O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 29/06/2019
No período após a Segunda Guerra, a produção de alimentos foi revolucionada com as novas tecnologias provenientes da Revolução Verde. Dentre elas, os agrotóxicos foram os que mais se popularizaram, pois eram baratos se comparados a outros defensivos agrícolas, como o controle biológico, por exemplo, além de aumentarem a produtividade das lavouras. Nesse contexto, como se dá o uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo e quais são suas principais consequências?
Para as grandes empresas do ramo, notadamente a Monsanto, a consequência direta foi o acréscimo da produção mundial de alimentos. Em contrapartida, de acordo com a FAO, órgão da ONU para a alimentação e a agricultura, um terço da comida produzida é desperdiçada. Tal situação demonstra que o aumento da produtividade das lavouras, propiciada principalmente pelos agrotóxicos, não significa, nesse contexto, um avanço. Com isso, a grande produção de alimentos, utilizada como argumento, apresenta um viés comercial e capitalista, voltado exclusivamente para a venda e a utilização exacerbada de pesticidas, que, por sua vez, podem ser a causa de câncer e de má formação fetal, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer.
Ademais, outra consequência do uso indiscriminado de agrotóxicos no Brasil e no mundo é a seleção artificial de pestes agrícolas que, atualmente, já é uma realidade no Brasil. Uma prova disso é que a produção de cacau caiu de quatrocentos mil toneladas, em 1980, para vinte e duas mil, em 2018, devido à dificuldade no combate ao fungo “Vassoura-de-bruxa”, de acordo com a Folha de S. Paulo. Tal situação, que já ocorre com antibióticos, deveria ser analisada para que a utilização de defensivos ocorresse de forma controlada, com respeito às normas de uso e ao meio ambiente. Porém, devido ao crescimento da influência da bancada ruralista no país, a tendência é que a permissividade aos agrotóxicos aumente, como já demonstrado com a inserção de 169 novos registros pelo Ministério da Agricultura, conforme noticiado pelo portal G1.
Diante das principais consequências do uso de agrotóxicos, é imprescindível que os Governos estabeleçam pactos, como o Acordo de Paris, para conter o crescimento desordenado da utilização desses insumos agrícolas e assegurar o cumprimento da legislação nos países. Para tal, é necessária uma coalizão, por meio dos Ministérios da Agricultura e das Secretarias do Meio Ambiente, estabelecida pelo comum acordo. Com isso, as consequências do uso dos defensivos seriam mitigadas, além de prevenir a incidência de doenças e a seleção artificial de pestes agrícolas, que podem atrapalhar o desenvolvimento das lavouras.