O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 30/06/2019
Segundo a teoria demográfica formulada pelo economista britânico Thomas Malthus, a produção alimentícia não acompanharia o aumento dos consumidores. Entretanto, contrariando as expectativas do teórico, a humanidade floresceu com capacidade de produzir o suficiente, tal feito decorre dos grandes avanços tecno-científicos em relação a agricultura e, na atualidade, o uso de agrotóxicos figura como um dos principais responsáveis. Dessa forma, ao passo que o uso desses insumos cresce, suas implicações também aumentam, e a pesquisa aliada a difusão do conhecimento junto a fiscalização mostram-se imprescindíveis para o desenvolvimento consciente dessa prática.
Em primeiro lugar, apesar de muitas vezes serem vistos como “vilões”, os agrotóxicos são uma ferramenta essencial para se atingir uma maior eficiência na produção agrícola, por isso o escopo pesquisacional é imprescindível nesse meio. Segundo o Ibama, em 2017 o Brasil utilizou 540 mil toneladas de pesticidas, os quais, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), podem ser reduzidas, pois, para o órgão, há muito uso incorreto e exagero. Nesse sentido, a grande incidência de intoxicação é fruto da falta de instrução do produtor sobre o manejo, a quantidade e o tipo de produto que deve ser usado na lavoura, logo esse problema decorre da falta de difusão do conhecimento técnico para o lavrador.
Outro aspecto, é a ocorrente falta de fiscalização por parte dos revendedores de agrotóxicos e entidades governamentais. De acordo com a Agência de Vigilância e Fiscalização Sanitária (ANVISA), o Brasil utiliza uma série de defensivos proibidos e a sua fiscalização é extremamente complicada em razão da dimensão territorial e da falta de articulação entre as esferas do governo. Além disso a própria lei do país acaba desarticulando o controle, visto que recentemente foi aprovado o projeto de lei conhecido como “lei do veneno”, nela o poder fiscalizatório, antes em mãos de vários órgãos de pesquisa como a Embrapa, Ibama e ANVISA, passa a pertencer ao Ministério da Agricultura (MAPA).
O uso de defensivos agrícolas, portanto, figura como algo indispensável para uma produção alimentar eficiente, desde que seja feito com o máximo de respaldo científico, cuidado com as técnicas de manuseio e quantidades dos insumos. Dessa forma, o cenário brasileiro atual é insatisfatório, nele o exagero e a falta de técnica do agricultor contribuem para o alto número de intoxicação. Por certo, na tentativa de amenizar a problemática o MAPA precisa agir consonante a órgãos como Embrapa e ANVISA para formular um rigoroso procedimento de manuseio correto dos pesticidas, manual o qual deve ser ensinado de forma veemente ao agricultor, principalmente ao pequeno proprietário, pelo próprio fornecedor do defensivo, no intuito de proteger tanto produtor quanto consumidor desse mal.