O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 23/06/2019
Émile Durkheim disseminou um pensamento segundo o qual a sociedade funciona como um organismo vivo, ou seja, todos os seus componentes devem viver em harmonia para que seja possível alcançar o equilíbrio geral. Sob essa ótica, menciona-se que o corpo social brasileiro caminha lentamente para atingir esse equilíbrio, tendo em vista que, entre as diversas barreiras enfrentadas pela sociedade, a questão do uso de agrotóxicos é uma das mais significativas. Nesse viés, não há dúvidas de que esses defensivos agrícolas são um problema enfrentado pelo âmbito social do país, o qual ocorre devido ao seu uso indiscriminado, além de estar relacionado à Revolução Verde.
De fato, os agrotóxicos são utilizados por produtores rurais devido à sua elevada taxa de produtividade nas plantações. Entretanto, o uso indevido desses pesticidas afeta diretamente o ambiente em que estão sendo aplicados, causando um desequilíbrio ambiental principalmente na cadeia alimentar, que é afetada pelo acúmulo de agentes químicos decorrentes do uso de agrotóxicos na água, resultando na eutrofização e na bioacumulação de materiais tóxicos nos animais topo de cadeia, como os seres humanos.
Além disso, salienta-se que a Revolução Verde contribuiu de maneira proporcional para o avanço dos agroquímicos. Nesse contexto, o ideal moderno chegou ao campo induzindo o uso de máquinas e de produtos para o aumento da produção e da infertilidade do solo, embora o seu uso indiscriminado cause a compactação e a infertilidade do mesmo. Assim, durante essa revolução o uso dos agrotóxicos foi intensa, gerando muitas consequências, principalmente à saúde dos envolvidos. Desse modo, os produtores rurais são os que mais sofrem com essa intensa utilização, pois são contaminados diretamente pelos componentes químicos e tóxicos dos pesticidas, intoxicado-os e causando graves problemas de saúde.
Portanto, para que seja possível alcançar o equilíbrio proposto por Durkheim, medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Governo, em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa e Agropecuária, promover por meio de políticas públicas, investimentos voltados à agroecologia, fortalecendo a pesquisa nas instituições universitárias, com o objetivo de substituir os pesticidas por agroecológicos que desempenham a mesma função, sem afetar o meio ambiente e os aplicadores. Ademais, o Governo também deve, com o auxílio do Ministério da Saúde, realizar campanhas nos hospitais e nos postos de saúde, com a finalidade de realizar o atendimento e o tratamento médico da população intoxicada por agrotóxicos.