O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 01/07/2019
O uso de defensivos agrícolas faz-se necessário para aumentar a produtividade das colheitas, prevenindo a sua destruição por pragas, doenças ou plantas daninhas, sobretudo em um país, que, desde o início de sua colonização tem a agricultura como principal atividade econômica. Entretanto, o Brasil se utiliza de maneira errada desse artifício, classificando-se como 3° maior consumidor de agrotóxicos do mundo, o que traz riscos severos à saúde da população e ao meio ambiente diariamente. Dessa maneira, é importante que se conheçam todos os danos que a utilização deste insumo oferece, para que mudanças possam ser feitas.
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) constatou, por meio de pesquisa realizada pelo Programa de Vigilância da Saúde das Populações Expostas a Agrotóxicos que, a 3ª maior causa das intoxicações alimentares brasileiras é atribuída aos pesticidas, herbicidas e fungicidas. Assim, registrou-se 114.598 casos entre os anos 1999 e 2012, tendo os trabalhadores rurais como os principais afetados. Isso acontece devido à má capacitação profissional e fiscalização das áreas agrícolas, por isso muitos desses trabalhadores acabam por pulverizar as plantações sem receber o equipamento necessário para sua proteção. Fora o mal-estar e crises respiratórias, o contato com alguns desses produtos químicos é responsável por causar deformações físicas, disfunções neurológicas ou ainda causar alterações cromossômicas, como o Glifosato, que causou tumores em ratos em experimento realizado na Alemanha, e por isso, passou a ser proibido. Além deste, mais 50 agrotóxicos são proibidos na Europa, mas 15 ainda são encontrados nos frutas e verduras brasileiras.
Além dos impactos na população, o meio ambiente também é afetado, já que ocorre degradação do solo. A aplicação excessiva desses venenos químicos pode matar bactérias fixadoras de nitrogênio, diminuindo a fertilidade e a biodiversidade do solo com o tempo. Através da água, seja proveniente da chuva ou da irrigação, o agrotóxico também pode atingir os lençóis freáticos, contaminando essas reservas aquíferas. Ou seja, o risco de contaminação pode se extender a toda uma cadeia alimentar, afetando diversos seres vivos
Tendo em vista os grandes comprometimentos advindos dessa prática, faz-se necessário a adoção de medidas que visem diminuir o consumo exacerbado de agrotóxicos no Brasil. Cabe ao Ministério da Agricultura atuar em parceria com a Invisa, de modo a capacitarem técnicos agrícolas, que reconheçam os graus de toxidade dos insumos e a quantidade ideal a ser utilizada. Desse modo, esses profissionais devem inspecionar rigorosamente as plantações, para que haja assim a conservação ambientar e, principalmente, segurança aos consumidores e trabalhadores rurais.