O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 26/06/2019
Com a Revolução Industrial, a Globalização e a Revolução Verde, a introdução de novas tecnologias, sobretudo no meio rural, adquiriu cada vez mais importância com o objetivo de aumentar a produtividade no campo. Entretanto, no Brasil, o uso exacerbado de agrotóxicos ultrapassa as barreiras às quais separam do direito de um indivíduo a ter uma alimentação saudável. Nesse contexto, torna-se um desafio a ser enfrentado devido não só a negligencia governamental, mas também pela postura individualista da sociedade. Com efeito, evidencia-se a necessidade de promover melhorias a esse quesito.
Deve-se pontuar, de início, que a Constituição Federal de 1988 garante a saúde de qualidade como direito de todos e dever do Estado oferecer ações e serviço para sua formação e proteção. Apesar disso, um levantamento da Anvisa constatou que 30% dos alimentos testados possuíam substancias proibidas ou acima do permitido. Logo, lamentavelmente, é notável que o poder público não cumpre com o seu papel de agente fiscalizador em detrimento da saúde da população brasileira. Ademais, a condição de vulnerabilidade a qual são submetidos todo tecido social - ao escolher seus alimentos- caracteriza um irrespeito, internacionalizado pela carência de políticas ministeriais.
Outro ponto relevante é o conceito de Modernidade Líquida de Zygmunt Bauman, que explica que o individualismo é uma das principais características - e o maior conflito - da pós modernidade. Desse modo, o sujeito, imerso nesse panorama e visando a produtividade e o lucro, utiliza desenfreadamente tais produtos químicos sem levar em conta a saúde humana e o meio ambiente. Por conseguinte, têm-se ‘‘pragas’’ mais resistentes e alimentos cada vez mais tóxicos para o consumidor. Em suma, os vieses egocêntricos estão presentes na organização desigual da sociedade promovendo-o um empecilho para a resolução do problema.
Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Ministério da Agricultura, promover por meio de visitas semestrais, fiscalizações nas lavouras produtoras, com o intuito de detectar irregularidades e, se cabível, aplicar multas, a fim de modificar a lógica do uso irregular e desenfreado dos agrotóxicos. Outrossim, ONGs voltadas às questões socioambientais devem promover campanhas de engajamentos sociais, disseminadas por canais comunicativos, a fim demonstrar os malefícios desses produtos. Dessa maneira, espera-se que essas medidas atenuem tais consequências impostas pelas Revoluções e pela Globalização.