O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 25/06/2019

O modelo de agricultura, voltado para a exportação, fez do Brasil o país que mais utiliza agrotóxicos na produção alimentícia. No período pré-colonial, os indígenas já praticavam a agricultura de subsistência, e, com os avanços científicos, passaram a predominar a tecnologia e a mecanização na área agrícola. Tais modificações, entretanto, não vieram acompanhadas, corretamente, de fiscalização e legislação apropriadas. Como consequência, o uso de agrotóxicos, na contemporaneidade, tem favorecido o desenvolvimento de patologias graves nos cidadãos.

Em primeiro lugar, não há fiscalização e legislação adequadas que inviabilizem a utilização de substâncias proibidas nas produções alimentícias. O uso exacerbado de inseticidas não somente prolonga a vida útil de muitos produtos, como também corrobora com a lucratividade demasiada inerente ao sistema capitalista. A saber, de acordo com o Laboratório de Geografia Agrária da Universidade de São Paulo, 30% dos herbicidas utilizados na produção brasileira, como o acefato e o metamidofós, são proibidos na União Europeia.

Ademais, os agrotóxicos são extremamente prejudiciais à saúde dos cidadãos, principalmente dos agricultores. A ingestão indiscriminada de inseticidas, como os carbamatos e os organofosforados, causa alterações cromossômicas, distúrbios neurocomportamentais e mutações gênicas. Com isso, é favorecido o desenvolvimento de patologias graves, como o autismo, os cânceres e a depressão. Nessa questão, segundo a Universidade Federal do Ceará, o índice de câncer é 38% maior nas lavouras que utilizam agrotóxicos do que nas cidades.

Por conseguinte, urge que o Poder Legislativo, em parceria com o Ministério da Saúde, realize alterações na Lei dos Agrotóxicos, de forma a proibir o uso daqueles extremamente prejudiciais à saúde humana e as espécies animais e vegetais, e exerça a devida fiscalização das produções agrícolas, de modo a garantir que os agricultores não estejam mais expostos aos possíveis riscos do contato com inseticidas. Além disso, o Ministério da Educação, em parceria com a população, deve realizar campanhas que exponham a dura realidade da produção agrícola e o que deve ser feito para diminuir a quantidade de herbicidas nos alimentos, antes da ingestão. Dessa forma, haverá melhora na qualidade de vida do cidadão brasileiro e o modelo agroexportador do país poderá continuar em expansão, sem trazer grandes prejuízos para nossa população.