O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 27/06/2019
“Bebida é água! Comida é pasto! A gente não quer só comida, A gente quer comida, Diversão e arte”. O grupo musical “Titãs”, desde a década de 1980, denuncia, por meio da sua composição, um problema que cerca a realidade brasileira contemporânea: a fome. Porém, desde o início dos anos 2000, surge uma nova problemática, filha do sistema econômico vigente: a utilização de agrotóxicos, com fim de aumentar a escala de produção e gerar lucro ao agronegócio. A lógica capitalista ensina ao povo que os agrotóxicos são a saída para a fome, enquanto, na realidade, são a entrada para a morte.
Sabe-se que o consumo de alimentos prejudiciais à saúde humana no Brasil não é uma invenção do século XXI; durante o período colonial, milhares de escravos eram obrigados a se submeter à uma dieta desumana e extremamente nociva, tendo como componentes alimentos velhos ou estragados. Pode-se afirmar que na atualidade, graças à omissão do poder público, milhões de brasileiros ainda fazem uso de alimentos tão mortais quanto os supracitados, mas de cara nova. Veneno para o povo, lucro para os detentores de terras, segundo o Programa de Vigilância da Saúde das Populações Expostas a Agrotóxicos, da Universidade de Campinas (Unicamp), 1,5 milhão de trabalhadores rurais estão intoxicados nos campo, graças aos agrotóxicos. Além disso, entre os anos de 1999 e 2012 foram mais de 114.598 brasileiros com intoxicações agudas provocadas pelos mesmos.
Tem-se conhecimento que a constituição cidadã de 1988 garante pleno acesso à saúde do povo brasileiro, em contraste, o governo age com imensurável descaso, ao permitir e apoiar a utilização de mais de 240 tipos de agrotóxicos em território nacional. Um dos principais fatores contribuintes para essa lastimável situação é a desigualdade social, que veta a classe proletária de ter acesso a alimentos orgânicos e naturais, dessa forma, o povo brasileiro é obrigado a escolher entre consumir veneno ou passar fome. Logo, pode-se analisar um Brasil singular, desigual, e principalmente, doente. Segundo o educador Paulo Freire “Ninguém liberta ninguém. As pessoas se libertam em comunhão”, sob esse viés pode-se afirmar que o único caminho para reverter a realidade brasileira e acabar completamente com a utilização de toxinas na alimentação da população, é a união popular.
Portanto, medidas são necessárias para combater o impasse. O povo deve exigir do Ministério da Agricultura a proibição imediata dos agrotóxicos em território nacional, através de grandes manifestações populares que devem acontecer de forma pacífica nas ruas do país. É imprescindível que o Governo Federal subsidie os pequenos e médios agricultores, com propósito de aumentar a demanda de alimentos orgânicos e saudáveis, além de incentivar o consumo dos mesmos. Somente dessa forma será possível alcançar um Brasil, de fato, equitativo e saudável.