O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 30/06/2019

O Brasil assistiu, nas últimas décadas, ao crescimento exponencial do uso de agrotóxicos nas suas plantações. Somos hoje o maior consumidor mundial de defensivos agrícolas e, com previsão de aumento da utilização dos mesmos. Os agrotóxicos passaram a fazer parte do dia-a-dia da população mundial, maximizando a produção e ajudando a eliminar as pragas, que podem acabar trazendo prejuízos aos produtores rurais. Contudo, hodiernamente, seu uso indiscriminado e sem a devida fiscalização tem trazido uma série de discussões ao âmbito político-social, uma vez que lida com a saúde dos agricultores e com a ética no campo de pesquisas e desenvolvimento de novas tecnologias de pesticidas, herbicidas e inseticidas.

Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), em 2018, o Brasil tornou-se o terceiro maior exportador agrícola do mundo, fato que justifica o uso desses defensivos agrícolas nas lavouras. No país, é a Anvisa quem regulamenta e faz a liberação dos agrotóxicos, o que garante um caráter de confiabilidade àqueles produtos que recebem o certificado da agência, uma vez que a certificação só é concedida mediante pesquisas no campo social e ambiental. Logo, o uso dos fotossanitários, quando feito dentro das normas, não oferece risco imediato.

Em contraste com esta realidade, a falta de esclarecimento e de fiscalização faz do uso de agrotóxicos um risco à saúde de lavradores e agricultores. A não utilização dos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) expõe o trabalhador de forma direta, não oferecendo qualquer tipo de resguardo em caso de acidentes. Casos de intoxicações, agudas ou não, bem como uma maior incidência de câncer em populações que moram em áreas que passam por pulverizações diárias com os defensivos são maiores e já estão servindo de estudos para a área médica, evidenciando que o uso incorreto destes pode trazer consequências graves.

Em suma, o uso dos agrotóxicos, no Brasil e no mundo, é um tema delicado, que requer estudos e comprometimento por parte dos envolvidos. No país, de forma específica, necessita-se de um trabalho conjunto do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, do Ministério da Saúde e do Trabalho, da Anvisa e de instituições, como a Embrapa e Fapesp, com o objetivo de encontrar meios que cubram o trabalhador rural e suas famílias, sem deixar de lado o aperfeiçoamento dos fotossanitários. Duas boas opções seriam a aplicação de cursos para agricultores, com a capacitação do trabalhador e esclarecimento de dúvidas, e a busca por meios alternativos de aplicação dos pesticidas, como por exemplo, drones de pulverização, que fariam com que o manejo direto fosse praticamente sanado do meio agrícola.