O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 27/06/2019
O avanço tecnológico nos séculos XVIII e XIX permitiu o desenvolvimento técnico-científico em massa nas formas de produção e consumo no ramo alimentício. Hodiernamente, no cenário brasileiro, esses avanços persistem com o uso de agrotóxicos, porém, acarretando impactos socioambientais, ora pelo uso desenfreado no agronegócio, ora pela falta de conhecimento. Nesse contexto, esses problemas devem ser analisados, com objetivo de entendê-los e solucioná-los de maneira eficaz.
A priori, consoante a Émile Durkheim, uma sociedade sem regras claras, sem valores e sem limites encontra-se em estado de anomia social. Sob essa ótica, o uso desenfreado de agrotóxicos ocasiona impactos socioambientais na sociedade brasileira, posto que a utilização de substâncias quimicamente nocivas e proibidas em outros países, porém liberadas pelo Governo no agronegócio, proporcionam a contaminação do solo e lençóis freáticos nas localidades de plantio em massa, conforme evidenciam dados do Greenpeace, os quais mostram que em 2018, no Brasil, 422 produtos químicos proibidos na União Europeia foram liberados pelo Governo brasileiro para utilização como pesticidas e 44% desse total são considerados altamente tóxicos ao meio ambiente devido a sua alta capacidade de poluição à água potável do país. Desse modo, cria-se um perfil calamitoso de desequilíbrio, no qual as relações de lucro no agronegócio prevalecem, tornando-se necessária, portanto, a dissolução dessa conjuntura.
Outrossim, conforme Voltaire, educar mal um jovem é dissipar capitais e promover perdas e danos à sociedade. Segundo essa máxima, a falta de conhecimento do cidadão sobre a aplicabilidade de agrotóxicos na alimentação permite a perpetuação de impactos socioambientais no país, uma vez que empresas do ramo alimentício e hortifrutigranjeiro omitem informações sobre a utilização quantitativa dessas substâncias químicas, permitindo o consumo constante de produtos com homeopáticas doses de contaminação, os quais proporcionam o aparecimento de doenças cancerígenas em função do acúmulo dessas substâncias no organismo. Em decorrência disso, urge a necessidade de medidas que reformulem esse quadro deletério urgentemente.
Destarte, medidas fazem-se necessárias para amenizar as problemáticas do uso de agrotóxicos no Brasil. A fim de atenuar essa situação, é mister que o Poder Legislativo reformule as leis existentes para impedir a utilização de agrotóxicos nocivos ao meio ambiente. Tal medida deve ser feita por meio do Ministério da Agricultura, com a criação de relatórios científicos, como pesquisas desenvolvidas em universidades que identifiquem danos da utilização desses produtos, para criação de Emenda Constitucional. Ademais, o Ministério da Saúde deve criar campanhas informativas sobre produtos que são consumidos diariamente pelos cidadãos e que possuem um alto teor de contaminação química.