O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 28/06/2019
No livro “Os donos do poder”, o sociólogo Raymundo Faoro descreve com base nas teorias de Max Weber, como o legado patriomonialista - herança da colonização portuguesa - contribuiu de forma negativa na origem de impasses sociais. De maneira análoga hoje Faoro perceberia acertada sua tese, em razão do uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo, um quadro que reflete negativamente no âmbito social tanto peça falta de fiscalização, quanto pela incapacitaçao dos trabalhadores. Portanto, cabe avaliarmos os reflexos que comportam esse quadro.
No cenário atual que comporta a evolução tecnológica, a sociedade se encontra anexada a uma posição de constantes transformações, inclusive, empenhada em acompaha-las ao máximo. Porém, o mesmo nao se vê quando se trata do combate ao uso de agrotóxicos no Brasil, que atrelado a falta de fiscalizações no meio agrícola, encontra espaço para sua inserção no corpo social. De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) entre 1999 e 2012 o Brasil teve registros de 114.598 de casos de intoxicações,sendo 25% desse número envolvendo crianças,um cenário que poderia estar longe do panorama brasileiro se a fiscalização na área de uso dessas substâncias fosse devidamente cumprida e, por conseguinte, a regulação do limite permitido na produção.
Faz-se mister, ainda, salientar a incapacitação dos que trabalham nesse âmbito como outro fator agravante.Consoante o escritor Darcy Ribeiro, o Brasil, último país a acabar com a escravidão, tem uma perversidade intrínseca na sua herança que torna a nossa classe dominate enferma de desigualdade e descaso. Sob a óptica desse pensamento,é notório que a perpetuação do problema é intensificada por essa “enfermidade” que configura-se no descaso, visto que o mesmo promove o mal exercimento da função de aplicar os defensivos agrícolas na produção, possibilitando a progressão do entrave.
Infere-se, portanto, que medidas sejam pensadas e postas em prática para o combate dessa atual problemática. Dessa maneira, urge que a esfera federal, em parceria com o Ministério da Agricultua (MAPA), fiscalize o uso desses agrotóxicos no meio agrícola por meio da contratação de agentes públicos que atuem na supervisão do quantitativo permitido na produção, com o fito de mitigar o número de casos de intoxicação. Ademais, os mesmos devem promover políticas de capacitação aos trabalhadores da área. A partir dessas ações, apraz que um dos impasses originados segundo Faoro e Darcy, pelo estado patrimonialista, seja eliminado da lista de problemas sociais do Brasil.